quinta-feira, 26 de maio de 2011

À Maga,

Cara Maga Patalógica, hoje sai a sua procura às 15:30 da tarde, a casa estava em obras, os tique taques intermitentes não cessavam a desatenção.
A cidade também estava em construção e/ou reforma, por onde se olhava era possível reconhecer operários carregados de exaltação lazeira.
Procurei-te nas cercanias por onde não jorravam prédicas, olhei em volta da estação das horas. Nos recantos amendoados pelo sorgo podre, também próximo àquele campo de ervas daninhas, cerquei-te à margem e à espreita.
 Constatado o vão protelar, me sentei à beira do rosário das almas, atinando os sentidos, alcançando todos os domínios possíveis da afetação.
Refleti sobre a questão de gêneros, que me cansam logo de cara, não gosto dessa discussão, não quero partir desse pressuposto sexista. Mas porque não? Amazonas guiando sua máquina carapaça extensão metafórica da carruagem de Adão. Barro amassado no cerrado. Ganhando velocidades, bruscas paragens, ouvindo Jimi Hendrix no talo, buscando amplidões, aptidões, refúgios, oásis. Sozinha em ermos rincões, onde alonga-se o olhar, porque é disso que precisamos. Chegar num lugar qualquer onde se possa ouvir simplesmente o barulho do vento, os pássaros em revoada, a terra vermelha crua em seu lagamar pulsar borbolhas, o suave tilintar do prado movediço para dentro da gente, nos engulindo seco à duros nacos de flanco em flanco.
(Floresta artificial de dissabores ácidos, crustáceos fervilhando numa panela sem vela.)
Ígneo predicado de todos os dias, pela manhã e pela noite servia à contragosto?
Dúbios são seus turnos desalentos, soturnos por impresisão.
Mas da saga intuição não me esquivo cara Maga, pode ser por falta de aviso, por insistência nefasta ou por persuasão.
Ainda te espio.

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