domingo, 30 de maio de 2010

Sabe aqueles dias...onde tudo que se consegue é uma inércia corruptiva?
Vou absorvendo transversalidades poéticas...
e depois de mastigado, porém não digerido...vomito tudo aqui. Deglute!

 
"Lembra do tempo que você sentia
e sentir era a forma mais sábia de você saber

e você nem sabia?"
                                      Alice Ruiz


Nesta vida, em que sou meu sono,
Não sou meu dono,
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.
Quem quando eu era infante me guiava
Senão a vera alma que em mim estava?
Atada pelos braços corporais,
Não podia ser mais.
Mas, certo, um gesto, olhar ou esquecimento
Também, aos olhos de quem bem olhasse
A Presença Real sob disfarce
Da minha alma presente sem intento.
                          Fernando Pessoa








             

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Arte Orgânica




Vale a pena conferir!
Recentemente estava procurando imagens para ilustrar uma apresentação de slides que eu faria sobre um artigo de Antropologia e Alimentação para meus colegas do grupo de pesquisa "Comida e Cultura". Foi quando descobri essas imagens no google.
O trabalho desse fotógrafo britânico: Carl Warner, é incrível.
Em suas criações da série "foodscapes" utiliza diversos tipos de alimentos formando cenários surreais e exaltando a beleza das formas orgânicas.
Tudo é feito com comida.
Só para dar um gostinho, seguem algumas imagens:

Link: http://www.carlwarner.com/











quinta-feira, 27 de maio de 2010

Definitivo


"Os Amantes"- René Magritte




Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.


Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos

o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções

irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado

do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter

tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que

gostaríamos de ter compartilhado,

e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas

as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um

amigo, para nadar, para namorar. 

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os

momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas

angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. 

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. 

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo

confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,

todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma

pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez

companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida

está no amor que não damos, nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do

sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade 



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cosmogonia Irreflexiva






Uberlândia 19 de maio de 2010.

A cidade está abrumada, e abrumada estou.

Não quero te assustar!

Magnetismo repulsivo?

Intensidade desmedida.

Mnemônico complexo de significados e significações.

Manifestação do inconsciente, meu anseio latente.

Encanto em desencanto.

Dialética do ir e vir ampliada a dimensões insuportáveis.

Implacáveis nortes velados.

Preciso transpor para me livrar?

Preciso cantar pra subir?



quarta-feira, 19 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Viver é muito perigoso!

Minha curiosidade pela condição humana vem me conduzindo por tortuosos e enigmáticos caminhos transversos para além da hipocrisia.
São elos que se criam amordaçados em máscaras fortuitas,
os mesmos dilacerados pelo desligamento defensivo-compulsivo.
Não passam de estímulos nervosos tencionados por humanidades tortas,
frouxas, insossas, devassas, salientes e transcendentes.
Nessa roleta-russa alucinada, nessa madrugada exterminada,
Vou fazendo a trajetória inversa Déjà vu.
Vou construindo não-lugares de desespero,
Nosferatus do desejo,
Mausoléu vivo em recordações dispersas.

Viver é muito perigoso!
Não confluências podem ser desastrosas.
É preciso ter cautela e precisão, qualquer passo em falso pode levar ao abismo, ou ainda à contradição.
Não se afogue em nada, tente ao menos um motivo digno.

Viver é muito perigoso!
Mundanas mutações orgânico-sociais
O aparato técnico de que dispõe as esferas comuns da vida privada aparecem reforçados e esgotados no superficial recolhimento do devir ilusório. São transações normativas de caráter ético, intrinsecamente pessoais e capazes de reprimir atitudes autopunitivas e autodestrutivas.
São comportamentos, massificados e repetitivos. Tenho medo disso!

Viver é muito perigoso!
Nenhuma dinastia Siciliana passional me irrompeu essa tarde,
Sigo tranqüila e hesitante,
Cambaleando no labirinto que eu mesma edifiquei
Absorta em construções imagéticas vagas e circundantes,
corrosivas como só a brisa do mar sabe ser.
Letal, passiva, liturgia irracional.
Domínio do nada! Ou do quase nada.

Diagnóstico imediato

Sábado, 15 de maio de 2010

Diagnóstico imediato

• Oscilações orgânicas contundentes, soturnas e dilacerantes me acometem sem sofreguidão;
• Transformo-me na ânsia da madrugada...
• Engulo seco meu devaneio; (mas só por alguns instantes)
• Subterfúgios de ordem externa são incapazes de conter tamanho furor concupiscente;
• Ardilosa trama imbricada de conseqüências danosas;
(alterego: _Onde eu fui me meter?!)
• Minha mente conspira contra mim, ao me encher com pensamentos autodestrutivos de arrependimento. Pedi socorro a mim mesma, e disse isso alto e em bom som. As palavras ecoaram no cosmos e esse pedido de clemência, repousou numa vibração carinhosa e auto-afirmativa do tipo: “_ Está tudo bem!” ,“ Não foi nada, não se arrependa!”, “ Admita: o que tiver que ser, será.” “__Você pelo menos fez sua parte”.
Meu alterego respondeu: “_ Não quero me perder em considerações intuitivas. Preciso respirar! Não consigo sair de casa, não consigo parar de pensar”...
E então me permito sentir, sofrer e amargar uma resistência.
• Tento digerir cada nuance e permaneço intacta, pelo menos aparentemente.
 Ossos do ofício de ser vivente!

Domínio do tempo



Quando se julga dominar o tempo, percebe-se e admite-se que na verdade, é ele quem o domina.

Caótica

Caótica manifestação incontrolável da postura sórdida instituida.
Não vou me ater a explicações vagas e infundadas, preciso sentir...
Preciso viver cada alento de noite, cada oscilação do dia.

Corsários


Créditos: Primo Tacca Neto
http://www.flickr.com/photos/interneto/3278244001/


A excitação não trilha caminhos esperados, acontece espontaneamente e pode ser despertada por um qualquer, imune de apresentação.
Protejo o protocolo de conduta para falsos corsários no meu coração, e espero que sejamos libertinos, como um gozo alado na escuridão.

Imperativa Sugestiva

Em o franco declínio do pudor forjado.

Sabe aquela velha moral imoral, capaz de reprimir até o que é natural?
Nela o menor espaço entre duas pessoas ficaria censurado, vetado de sua potência impetuosa.

Pulsante trajetória: punção de vida e de morte.

Entorpecente, de tão bruscamente deturpadora que é.
Somos isso e muito mais!

Seria possível contornar todas as inconveniências com uma boa retórica?

Controvérsias são fatos expressando-se por si mesmos,
acabam por comprometer o processo de inversão do avesso adverso.

Quem sabe, num futuro próximo, poderíamos até desviar outros olhares para esse encanto de desencantar tabus?
 E nesse momento, creio que o paradigma fantástico da autenticidade haverá de servir.

Dialético processo de criação/destruição: sua reputação!

Poderíamos tocar rimas dissonantes,
absorver diálogos dissidentes,
acometer fraturas colaterais
e operar sonoras materializações.

Estamos afundados na lama cartesiana.
Corrompidos por ensejos conspiratórios.
Atitude blasé! Pode crê de BG!

E uma caótica movimentação catártica se instalou...
E a boemia absorta na noite molhada subiu no conceito do inusitado.

É, pode acontecer!

Nem sempre os astros estão alinhados,
nem sempre os olhares se cruzam,
e nem sempre
A PORTA ESTÁ ENTREABERTA.


"Ficamos até mesmo todos juntos
reunidos numa pessoa só..."

             Arnaldo Batista- Loki

Água clara

A água está clara,

as pedras ainda estão em seus lugares,

nem o vale e nem os pés de Angico se curvaram

nem mesmo os pássaros revoaram,

somente os sentidos das entranhas

ecoaram...


                                            Flávia Amaro



Estrela poente


Naufrágio em terra,

em nascente cintilante,

e no cruzeiro,

vejo o horizonte exorbitante.

mestiçagem ancestral



Trajetória infame da formiga
quer chegar ao doce da vida,
mas é sabotada a meio caminho.
Melhor então ser uma vespa,
Que de tão vesga, não consegue distinguir o “terço do turco”e segue distinta.
Já a cabrita,
esbraveja,
sobe nas canelas e supõe ingratidão.
Poliniza como as abelhas, néctar de sedução
e encontra na anca das vacas, a forma inata da mestiçagem ancestral.

Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...