Escrevo
e minhas palavras soam alto uma a uma ao leitor embargado. Sombras levemente
perceptíveis percorrem seu braço direito enquanto lê estas letras, pequenas
centelhas cintilantes te rodeiam, vultos aleatórios vagueiam e evaporam-se
facilmente a qualquer espanto, devaneios o incendeiam como um calor etéreo atingindo
lentamente diferentes partes fragmentadas de seu corpo. Breves zumbidos
confundem seus ouvidos, bem próximo a sua nuca sussurra com sua consciência uma
voz alegórica, simultaneamente você pressente uma presença líquida envolvendo o
ambiente e percorrendo os cômodos. Você experimenta a sensação de que não está
só, chega à súbita certeza de que nós nunca estamos sozinhos e que não cabe ao
acaso o delineamento do destino, e que quando o coração pulsa acelerado toda
sutileza emerge dos paralelos convergentes, das dimensões aparentemente
inexistentes para a maioria dos descrentes mortais que padecerão numa rotatividade
sem fim. Eu quero expandir feito bolha de sabão e me fundir, com minhas frágeis
membranas, explodir no vento da tarde. Eu quero me entregar ao ar que forte se
movimenta e sopra longe daqui.
sábado, 3 de agosto de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...
-
Cansa ser, sentir dói, pensar destruir. Alheia a nós, em nós e fora, Rui a hora, e tudo nela rui. Inutilmente a alma o chora. De que ser...
-
Amém Hoje acabou-se-me a palavra, e nenhuma lágrima vem. Ai, se a vida se me acabara também! A profusão do mundo, imensa, tem tudo, tu...
-
Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário