sábado, 3 de agosto de 2013

Três poemas de Herman Hesse


Sem descanso


Alma, temeroso pássaro,

A toda hora perguntas:

Quando virá repouso, quando virá paz,

Depois de tanta luta?

 

Ah, eu sei: mal chegam dias sossegados,

Uma nova saudade já transforma

Cada caro dia teu em um tormento.

 

E, mal oculta no abrigo,

Vais procurar novos dissabores

E cheia de impaciência incendeias

O espaço como a mais nova estrela.

                                                
 
 
Nova vivência
 
Mais uma vez vejo descer o véu,
E o íntimo torna-se estranho,
Novos espaços estrelares chamam,
A alma inibida vaga em sonho.
 
Em novas órbitas, mais uma vez,
Organiza-se em torno de mim o mundo
E eu me vejo puro mago,
Como criança, nele colocado.
 
Mas um tênue pressentimento
Me chega de outras vidas:
Estrelas morreram, estrelas nasceram,
E o espaço nunca esteve vazio.
 
A alma se curva e se levanta,
Respira no infinito,
Nova e mais bela se tece,
Com rasgados fios, a veste de Deus.
                                             
 
Confissão
Doce luz, a teus reflexos
Entrego-me docilmente;
Outros têm metas e desejos,
A mim me basta viver.
 
Tudo me parece alegoria
O que sempre meus sentidos comoveu,
O infinito e o uno,
Que sempre vivo senti.
 
Ler nessa escrita de imagens
Faz minha vida valer a pena,
Pois sei: o Eterno, e o Ser,
Dentro de mim, residem e permanecem.

 
                                                          Herman Hesse
 
 

 
 
 

Um comentário:

  1. Parabéns Loba da Estepe, belo blog, sorte tê-lo encontrado! Novamente reli Sidarta e Lobo da Estepe ano passado, valeu a pena, demais!

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