quinta-feira, 31 de julho de 2014

Um sentido sereno surpreende meu enaltecer
enquanto esferas se desenham
novos ares se sobrepõe enquanto atmosferas alcançam
torpente se torna o meu procurar
sou a sombra da árvore milenar
que te abriga ao luar nas nossas andanças
estou sob um céu de cristal e sobre os notívagos do futuro

Mergulhei até limites abssais
pressão que estoura em profundidade
e quando nem toda densidade for suficiente pra afundar
te procurar até que os contornos se amenizem e as luzes reminescentes
dos pequenos prazeres te despertem lentamente

Coroas de fogos
os anjos que nos circundam estão presos à anéis místicos
envolvem poderes e calores específicos

Profanas contundências
compassos harmoniosos

enquanto filamentos de sol alcançam
inauditos fragmentos e restauram florescencias


eu quero estilhaçar certezas hipócritas
encontrar a sintônia que escreve para mim, e para que?
Para comprovar que memórias se constroem no instante


Eu argumento que nossos corações podem ter se petrificado quando soubemos por fontes glaciais que os mananciais cósmicos estão comprometidos pelas impurezas da alma humana. Não devemos nós paralizar diante da vida em função do medo que nos impele à morte em vida. Receba meu amor dilacerado e resguarde bruscas partilhas.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Fui abrupta, me excedi. Qual a medida da intensidade do que se julga subjetivamente real? Qual a finalidade da confirmação objetiva? Toda palavra legitíma uma fuga do real, pressupõe uma abstração necessária. Que dimensão te apetece, a imediatez das pulsões orgânicas ou o afastamento descritivo? Nenhuma palavra recupera o sentido de sua empiria instantânea, no entanto a um sentir sublime ontologicamente desenhado  na interpretação espontânea. Sei que dos cósmicos transportares a reciprocidade é a resposta. Aquilo que te prende é o que te transborda.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Te entrego hoje seus cílios
escritos do flamejar
noite de contemplação
astros selvagens em sintonia

espinhos alados dispersos e mínimas distâncias
Percorro o leito de um rio e a copa se fecha numa trama verde
tudo é efêmero como a água que corre
deidades de plasma e eu a ninfa passageira das águas
sobre o pôr do sol dourado tudo é pertencimento
toda a natureza comunica comigo aqui e agora
tudo vibra no mesmo ritmo do coração selvagem da terra
os sopros transportam a consciência para as alturas

e toda brisa carrega fumaça de dispersão


Acredito em dimensões sobrepostas, em sombras e em arranjos articulados como teias de uma grandiosa amarração. Projetamos as sombras das antigas cavernas e oscilamos nossos mitos arcaicos entre o fogo elementar e a bruta aceitação de nossa condição natural. Cerco-me de questionamentos e passageiras compreensões, a cotidianidade irresoluta e seus maniqueísmos insurgentes não me comovem, procuro a imensidão de toda perda e me coloco no vão entre a razão e o sentimento que ilumina desde a face sensível ao olhar inteligível. Tudo é perenemente ontológico. E quanto ao caótico, cabe ao corpo convalescer e o que eleva à dor universal, a angústia existencial relativa à saudade da alma de um lugar unívoco onde todo o uno é o calor do cosmos centro, o umbigo de todo o mundo, a convergência de todas as constelações, o núcleo de luz, capaz de suplantar toda a ausência como num movimento, o eterno movimento que sempre conduz do extremo do erro ao extremo do acerto no transcorrer da transversalidade das emanações centrípetas, na irradiação dos relevos e resgates ancestrais.

Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...