quinta-feira, 26 de abril de 2012




"Tudo que o coração deseja pode sempre reduzir-se à figura da água". 
Paul Claudel in BACHELARD, Gaston- "A água e os sonhos"

                                                                             

domingo, 22 de abril de 2012



Em remotas paragens de tempo-espaço
 o relógio girava harmonicamente
ainda que não cadenciasse as horas
 e ainda que não necessariamente
girasse
numa órbita reconhecível
todo entendimento era natural,
numa seqüencialidade progressivamente previsível
e cabia ao homem classificar numa regularidade assuntível
2+2= 4 segmentado e legítimo
no entanto,
tudo é relativo
como parâmetros falidos
e toda abstração possível está no cerne
de quem? 
do indivíduo, que lembra e decifra
porque é meramente parte
como o espelho quebrado que é também inteiro
sal e água, sumo e seiva
poeira cósmica imantada
vibra e brilha numa ininterrupta intensidade
de rotação e translação em torno de um centro de calor
imprevisto e regido pelo acaso conectado.


Postagem realizada primeiramente no blog Manufatura (http://manufatura.blogspot.com.br/) em 18/04/12

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Eu sou aquele que não se vê e sutilmente se toca
um repuxo, uma fincada, um cafuné, um toque estranho
uma bruma branca, uma sombra negra, um vento, um sopro, um lampejo
uma idéia veemente, um pulsar espontâneo, um alento, um lamento
um sonho revisto, um plano deposto, um presságio ilustrado
no incandescer de anjos, no esquentar das palmas das mãos
quando glóbulos borbulham gaseificados de energia elétrica ativa
rasa rara e branda de infinito, numa paralela
voando baixo
No instante que percebo e penso distâncias certeiras
movimentando-se como ponteiros de um relógio imaginário
acabo quebrando o teu galho.
                                               
                                                                                      ojo

sábado, 31 de março de 2012



Hoje já não sei de nada
e mesmo do que já soube, me esqueci
o que sinto ou intuo fui eu que escolhi?
O que me falta e de onde eu vim?
Para onde vou e o que é efêmero?
Enquanto não sei protelo
Subestimo-me
Subalterna e subjugada aprendiz
Enquanto tudo fica a beira do abismo
e basta respirar para viver
o que se busca e o que se impõe
a centelha de iluminação
e as sutilezas da revelação
corrente que verte mudança
resignação contente
não faria nada que me acusasse mal a consciência
já não consigo viver bem com meus pensamentos
se tivesse culpa e distorção seria ainda mais insuportável
Confundiram-me e me perdi
De nada tenho certeza
Só que
“nada sei.”

domingo, 18 de março de 2012

Hoje assim como todo dia 18 de cada mês, é o dia da minha publicação no blog MANUFATURA. Segue o link de acesso: http://manufatura.blogspot.com.br/onde vocês encontrarão uma postagem inédita.

quarta-feira, 14 de março de 2012

sumo da seiva

extensão do sonho em estado imantado

magia que extrapola o sono e entranha o dia

chuviscos de luz e fomento reflexivo

como se todo lapso de segundo disperso relembrasse o abismo

portal encantado por trás da cascata onírica

e quando os passarinhos sobrevoando em cortes ligeiros rasgassem o ar em zunido fino

e a queda transparente e ininterrupta levasse toda sorte de fluência para as latências do vale

que levanta sutilmente suas colinas verdes servindo de escorregador para as linfas silvestres-

seivas da terra espremida,

Por todo seu lodo, por toda sua lida!

domingo, 4 de março de 2012

ojo




Sinto-te tomar me em arrepio
Anjo- Espírito
como ondas tensionadas percorrendo
o corpo físico
e me divido
diametralmente
Mente
mecanismo
retilíneo de suspensão aerada
Flama de sopro
Vereda d’água

borbulhando da terra
de nascente estelar
ar
fogo
chão
clarão de rememorar
alhures
cadentes e cativos
humores ambíguos
sob o meio de equilíbrio
no infinito.


Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...