sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ao meu amigo

Ah, meu amigo! temos vivido dias de cão,
nada de novo,
nada de norte,
seguimos nossa própria sorte
à revelia da morte
Nossa válida intenção.

Porventura não seriam desdobramentos de sortilégios pairando acima de nossas cabeças/possibilidades?
Instituídos pelo movimento inextricável das eras?
Não dá para dizer ao certo, somente que a tradição já não tem mais peso e que o seu lombo já está sambado.
Temos tanto mundo dentro da gente, tanta ilusão, que não cabemos, ou cabemos dentro de nós?
 Estar junto aos seus é se fechar numa ostra de reconhecimento provável mais repetitivo é ficar à beira do abismo. Se alienar com a erva forte, se afogar no imediato, abrigar fundos sem cortes, mover pedras de um lado para o outro, fincar os pés em terra de passagem.
Se é de passagem, porque insistir em fincar raízes?
Só estufa?
Tempo de maturação?
 Fomos tratados a beira-bar,
outsiders do sertão acidentado,
das verticalidades cravadas na horizontal de concreto metido à cosmopolita.
Sabe-se lá que aparências vazias não enchem barriga.
E nós, temos fome de tudo!

Um porém no encanto do mundo nos desperta a consciência dos dois lados da mesma moeda: quanto mais se sabe, mais se quer, e o sentimento de frustração é diretamente proporcional ao conhecimento desse paradoxo.
 Porque queremos? O impedimento é proveniente do movimento dos astros? Somos nós um fracasso?
 Mais cômodo deixar-se levar, não sofrer, nem se esmorecer, é vero que o resguardo não trás resultado, muito pelo contrário, pode quebrar uma rotina de disposição.
 Porque há de se concordar comigo, tem que ter disposição!


Um comentário:

  1. e muita disposição cara amiga!
    a vida tem que ser como os braços da avó que de tanto sovar pão de queijo envelheçem, mas não flácidos. se for coisa de sortilégios que se desfaça o quebranto! e agora!
    saudades de ti minha muléstia!

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