terça-feira, 13 de dezembro de 2016

No vácuo das virtudes virtuai



Vírgulas aéreas – não posso suportar torpe acusação
convivo com voyeurs anímicos animados por correntes elétricas
da entrega desencapada à desconfiança traiçoeira
persecutória alegoria de escuta
dos espasmos do silêncio na calada da noite
do ronronar dos tímpanos suscetíveis à ínfimas variações
do tencionar via empatia

lealdade de nada
não morde
só sorri



quinta-feira, 24 de novembro de 2016

sobre a vespa e o caos

Havia um vespeiro caótico no meio do nada
se já havia.....o que havia? Nulidade prenhe de
vespas que ferroam as próprias vespas

na iminente tentativa de auto-organização
ferroadas mútuas dizimavam vespeiros

depois a descoberta da resignação como solução para a barbárie
e a palavra "bem" concebeu-se
e os deuses e gurus perspicazes
perscrutaram o amor apaziguador
e inventaram o perdão e a impassividade
como forma de salvação.



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Lua febril
presença querida
dorme e ascende
elevadas virtudes
sonha comigo
destino onírico
que conduz
ao delírio.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

“Contempla o fogo, as nuvens e quando surgirem presságios e as vozes soarem em tua alma abandona-te a elas sem perguntares se isso convém ou é do gosto do senhor teu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. ” (HESSE, Hermann, p. 110)



terça-feira, 4 de outubro de 2016

poeta português


a sina das palavras
que irradiam-se pelos músculos
e escrevem-se pelas linhas
não lineares
palavras que articulam-se pelas veias
que fluem faceiras e ferozes
que esgueiram-se e sobressaem-se aos sentidos
palavras que podem ser percebidas desde dentro
palavras ouvidas no firmamento
palavras recebidas
assina-se o seu nome
sempre
provas, desenhos, rabiscos, 
cartas, cadernos, delírios.




segunda-feira, 29 de agosto de 2016



Causar alguma reação
aos músculos oculares
e cardíaco


enaltecer os vincos
dos nortes de corrimão


forçar as letras sobressaltadas
ferir as ideias à punhaladas










sábado, 27 de agosto de 2016



Caça-se com o cão
mas, quem caça o cão?


caco caótico desprendido do oco
cavado com a mão

avesso do in verso?
universo em expansão

pedaço de músculo
coração


Ama-se com o não
mas, quem ao não amou
então?