quinta-feira, 24 de novembro de 2016

sobre a vespa e o caos

Havia um vespeiro caótico no meio do nada
se já havia.....o que havia? Nulidade prenhe de
vespas que ferroam as próprias vespas

na iminente tentativa de auto-organização
ferroadas mútuas dizimavam vespeiros

depois a descoberta da resignação como solução para a barbárie
e a palavra "bem" concebeu-se
e os deuses e gurus perspicazes
perscrutaram o amor apaziguador
e inventaram o perdão e a impassividade
como forma de salvação.



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Lua febril
presença querida
dorme e ascende
elevadas virtudes
sonha comigo
destino onírico
que conduz
ao delírio.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

“Contempla o fogo, as nuvens e quando surgirem presságios e as vozes soarem em tua alma abandona-te a elas sem perguntares se isso convém ou é do gosto do senhor teu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. ” (HESSE, Hermann, p. 110)



terça-feira, 4 de outubro de 2016

poeta português


a sina das palavras
que irradiam-se pelos músculos
e escrevem-se pelas linhas
não lineares
palavras que articulam-se pelas veias
que fluem faceiras e ferozes
que esgueiram-se e sobressaem-se aos sentidos
palavras que podem ser percebidas desde dentro
palavras ouvidas no firmamento
palavras recebidas
assina-se o seu nome
sempre
provas, desenhos, rabiscos, 
cartas, cadernos, delírios.




segunda-feira, 29 de agosto de 2016



Causar alguma reação
aos músculos oculares
e cardíaco


enaltecer os vincos
dos nortes de corrimão


forçar as letras sobressaltadas
ferir as ideias à punhaladas










sábado, 27 de agosto de 2016



Caça-se com o cão
mas, quem caça o cão?


caco caótico desprendido do oco
cavado com a mão

avesso do in verso?
universo em expansão

pedaço de músculo
coração


Ama-se com o não
mas, quem ao não amou
então?




sexta-feira, 12 de agosto de 2016

PALAVRAS



PALAVRAS

        Sylvia Plath


Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.


(tradução de Ana Cristina César)

.



                                                                 * Imagem: http://www.deviantart.com/

Perdi minha inocência quando ela fugiu com meu entusiasmo e disposição, consegui agarrar minha espontaneidade que ia junto pelo pé, mas ela ficou em cima do muro, puxei-a pra baixo, ela caiu toda esfolada, ficou cheia de ranhuras, mas sobrevive bem, obrigada.