quarta-feira, 27 de agosto de 2014

 Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo


Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta


Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores


Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro


No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço.


 Mia Couto em "Raiz de Orvalho
e Outros Poemas".

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sempre na liminaridade
entre a submissão e a santidade
no resguardo da metamorfose
na transmutação de intensidade
dificuldade de preservar a sanidade
às custas da racionalidade
Posso ler a inesgotável pulsão
decodificação de letras sutis
ou enquanto toda afirmação for sentença
de adormecimento ou inércia
que reverbera no cosmos eternizada

todo silêncio é sagrado
todo sacrifício é ilusão

enquanto suportares sustentarás em vão
enquanto transportares amenidades
para outros patamares
desmoronarão

segunda-feira, 25 de agosto de 2014






Acolher o vazio
ouvir o som do silêncio
das ondas resguardar o movimento
inspiração do vai e vem
dos sentidos implícitos

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Um sentido sereno surpreende meu enaltecer
enquanto esferas se desenham
novos ares se sobrepõe enquanto atmosferas alcançam
torpente se torna o meu procurar
sou a sombra da árvore milenar
que te abriga ao luar nas nossas andanças
estou sob um céu de cristal e sobre os notívagos do futuro

Mergulhei até limites abssais
pressão que estoura em profundidade
e quando nem toda densidade for suficiente pra afundar
te procurar até que os contornos se amenizem e as luzes reminescentes
dos pequenos prazeres te despertem lentamente

Coroas de fogos
os anjos que nos circundam estão presos à anéis místicos
envolvem poderes e calores específicos

Profanas contundências
compassos harmoniosos

enquanto filamentos de sol alcançam
inauditos fragmentos e restauram florescencias


eu quero estilhaçar certezas hipócritas
encontrar a sintônia que escreve para mim, e para que?
Para comprovar que memórias se constroem no instante


Eu argumento que nossos corações podem ter se petrificado quando soubemos por fontes glaciais que os mananciais cósmicos estão comprometidos pelas impurezas da alma humana. Não devemos nós paralizar diante da vida em função do medo que nos impele à morte em vida. Receba meu amor dilacerado e resguarde bruscas partilhas.

Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...