sábado, 21 de junho de 2014

Me eleva noite de despenhadeiro
no cume frente ao mar aberto
e enquanto todo oceano for profundamente obscuro
no movimento do mundo,
do umbigo- domingo abissal da degeneração

quando cada gota viva vibra
o ressoar é eterno
e a presença é o presente do instante
no desperto tratamento
meu afeto é seguro

o colar foi feito de contas
milênios foram preciso
enquanto a maré dançava seus velhos mistérios

e eu me entregava a seu ritmo contínuo.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Inebriantes oscilações etéreas percorrem a noite
como tempero pros ares, como fumaças incandescentes
como leves véus ao léu
breves humores
eterna sensação
de organismos fragmentáveis
velando o sono dos despertos
atentos à sorte dos entendimentos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sinto no compasso grandioso do universo que canta baladas suaves sopradas pelo vento ameno das palavras encadeadas em encantamento. Meu mundo gira no tempo dos pertencimentos e adivinhações. Sou sempre o segredo dos inocentes que irradia certezas de um sereno sentimento de seguridade e silêncio.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Seu lento enternecer
a vibração recíproca
as cartas reveladas na penumbra
nos corpos escritos
segredos de baú
selos e símbolos de sangue
hábitos retrógrados
especiarias aromáticas
artifícios de sentir
para contas de lágrima
lendas de lembranças forjadas
na criação imagética
das folhas bordadas
que secam ao tempo

expostas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Creio nos vapores criados por uma respiração em transe
entre a linha tênue, tudo é transponível
no quarto escuro as visões são internas
instantâneas como flashes
milésimos de segundo
de silêncio imprevisto
na preponderância da queda à 0°
imagens se formam e desaparecem
como encantamento
nas paredes palavras incandescentes
dançam fluorescentes
seus céus particulares


palavras cravam a pele
tatuam urgências
como espinhos riscantes
a coluna dorsal
da noite

vozes invisíveis vagueiam
os porões
proclamando presenças de vertigem
palavras que precisam ser transcritas

e avisam sobre as confrarias desfeitas
a preservação só existe na memória
tudo é fluxo e função

palavras plainam e pairam
me reinterpreto a partir do que leio

tudo é transmutação
e movimento

sábado, 5 de outubro de 2013

Toda palavra é a repetição do verbo
primordial recurso através do verso
expresso
somos o futuro nos moldes do passado
ressignificado e intersubjetivamente
devolvido em sentido
somos o objetivo
do tempo
da gira
da gota d’água
tendência genuína das evidências
no desenrolar da experiência
iniciativa de comunicação
expandida

alma grafia

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O solo da guitarra chorosa
me transporta pro limite
quisto

preciso enxergar a marca d’água
na expressão do pequeno rio que brota
do desejo

os olhos de um sonho
são membranas transponíveis
de um recíproco
eterno retorno

a singela leveza
de um olhar
vertical num corpo horizontal

te chamo
com a música

como fostes entidade
passageiro na remota
viagem
âncora e razão

astronauta de metal
mitificado
foras sim e entre o não
talvez

te esperarei
como esperam os fracos diante
do instante em vão

suspirarei quando sopraste
ao longe
doente de mim
 auspícios
de virtude

e vontade

Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...