segunda-feira, 24 de maio de 2021

Despropósitos, transtornos irremissíveis e inconveniências

Se não há propósito
Isso se deve ao fato 
de que o que havia 
de mais supostamente sólido, 
se dissolveu 

Mas, antes tivesse se extinguido 
dissolveu,
deixando marcas indeléveis 
como nódoas na epiderme da alma 

vítima quando se cala 
se enterra viva 
vítima não tem que ter vergonha 
de ter sido vítima 
num teatro de narcisistas 

cismas drásticas 
a libertação vem com a denúncia? 
a cura, vem pela fala? 


Descontinuidades e rupturas

sexta-feira, 7 de maio de 2021

 Visão otimista

Que assim seja!




Ou todos cuidamos uns dos outros, e assim sobreviveremos na mesma Casa Comum, ou poderemos ir ao encontro do pior. Cabe a nós decidir que futuro queremos. Quem conhece a história da vida, tira dela esta lição bem-aventurada: depois de cada grande catástrofe, a vida sempre floresceu- e floresceu como nunca antes. Agora, assim esperamos, não será diferente. Floresceremos com mais convivialidade, com mais senso de inclusão de todos, com mais veneração pela natureza, com mais acolhida das diferentes coisas da Terra e com mais abertura à Fonte do todo ser.

Leonardo Boff - “Do iceberg à Arca de Noé”, em "O nascimento de uma ética planetária". (2002: p.14)

 

“Viva como se fosse morrer amanhã. Mas aprenda como se fosse viver para sempre” - Gandhi

 

Não tenho vivido a contento, aliás, ninguém tem. Mas tenho me dedicado a aprender, como se pudesse carregar esses aprendizados para a eternidade. Me iludo acreditando que tenho me dedicado ao único aspecto dessa existência que posso levar comigo para o próximo desafio do espírito. Leio e escrevo hoje, para ler e escrever eternamente.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Sem intensidade

não há verdade,

tampouco, necessidade


deixa de ser vontade

em nome da sanidade


culpo sua vaidade


sem pulsão que mereça, 

a instabilidade

que, então, pereça

à sombra da maldade


à revelia

da nulidade fraca,

de sua cama vazia e 

de sua carne, 

agora fria


quarta-feira, 14 de abril de 2021

 Fim de noite

noite sem fim


Primeiro dia de um tempo emblemático

onde nada é por acaso


Vazão de fantasmas adormecidos

euforia, excitação

Vazão de compulsão sensitiva

resistência, negação


Bola de cristal, intuição

Meu mero ser, merece ser?


Há de ser mais e mais

ao perecer




sábado, 14 de novembro de 2020

Desolação de isolamento

 

Expressar-se num campo limitado e pré-determinado por Marck Zukerberg

Escolher no self-service das causas ecológicas, ideológicas, sociais e políticas, a causa do dia

Moldar-se irremediavelmente aos protocolos da hipocrisia

Humanizar-se, ao passo que se desumaniza

Perceber mascarados ou semi- mascarados

Confinar-se à revelia

Aprofundar mais e mais, até o limite da disforia

Ensimesmar-se, mesmerizar-se

Dar palco às sombras sonoras

Perder a rotina




domingo, 8 de novembro de 2020

Não, São Paulo não me cativou nesse ano. Para mim, privilégio não é estar onde “todo mundo está”, mas estar em um lugar onde se pode, num ...