Escuto seu murmúrio dissonante da mesmice que se firma nessa
fluida tentativa de comunicação simultânea, sou a roldana que te iça da
lembrança, só com a força do pensamento. Desde quando confirmações são válidas,
desde quando submundos se expressam com seguridade? Tudo é sobreposto, e a
leveza depende da vibração consentida/conseguida no arranque lúcido das horas
sossegadas. E no seu tempo, sem coligações que te prendem poder voar com mais
clareza, voltando sempre para o ponto em movimento de onde partiu. E assim
sucessivamente, noite após noite, dia após dia.
Um texto profundo e belo.Parabens.
ResponderExcluirO efeito das aliterações (especialmente em 's') é tão mesmerizante que o sentido, numa primeira leitura, me passou despercebido. A primeira frase é muito bela, introduzindo essa metafísica da dissonância com o cotidiano, através do pensamento e das tentativas de comunicação. Gosto desse movimento de busca da leveza e da clareza, para inserir-se, sempre renovado, nos ciclos da vida. Foi assim que o seu poema bateu em mim, após várias leituras. Um abraço.
ResponderExcluirNão domino figuras de linguagens, os escritos se formam quase que independentes. E os sentidos se formam autogeridos.
ResponderExcluirO território do cotidiano é plural e a interpretação concedida a ele se pauta dentro de uma classificação do real, do passível de ser executado e projetado. A escrita é a fuga do socialmente viável, se expressa num campo subjetivo altamente pessoal. E esse processo criativo de manufatura dos versos é tão individual e carrega tanto da bagagem cultural e das formas de ver o mundo de cada um.
Fico feliz que leia e frequente este blog. Seja sempre bem vindo. Abraços.