quarta-feira, 27 de agosto de 2014

 Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo


Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta


Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores


Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro


No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço.


 Mia Couto em "Raiz de Orvalho
e Outros Poemas".

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sempre na liminaridade
entre a submissão e a santidade
no resguardo da metamorfose
na transmutação de intensidade
dificuldade de preservar a sanidade
às custas da racionalidade
Posso ler a inesgotável pulsão
decodificação de letras sutis
ou enquanto toda afirmação for sentença
de adormecimento ou inércia
que reverbera no cosmos eternizada

todo silêncio é sagrado
todo sacrifício é ilusão

enquanto suportares sustentarás em vão
enquanto transportares amenidades
para outros patamares
desmoronarão

segunda-feira, 25 de agosto de 2014






Acolher o vazio
ouvir o som do silêncio
das ondas resguardar o movimento
inspiração do vai e vem
dos sentidos implícitos