sábado, 3 de agosto de 2013

Escrevo e minhas palavras soam alto uma a uma ao leitor embargado. Sombras levemente perceptíveis percorrem seu braço direito enquanto lê estas letras, pequenas centelhas cintilantes te rodeiam, vultos aleatórios vagueiam e evaporam-se facilmente a qualquer espanto, devaneios o incendeiam como um calor etéreo atingindo lentamente diferentes partes fragmentadas de seu corpo. Breves zumbidos confundem seus ouvidos, bem próximo a sua nuca sussurra com sua consciência uma voz alegórica, simultaneamente você pressente uma presença líquida envolvendo o ambiente e percorrendo os cômodos. Você experimenta a sensação de que não está só, chega à súbita certeza de que nós nunca estamos sozinhos e que não cabe ao acaso o delineamento do destino, e que quando o coração pulsa acelerado toda sutileza emerge dos paralelos convergentes, das dimensões aparentemente inexistentes para a maioria dos descrentes mortais que padecerão numa rotatividade sem fim. Eu quero expandir feito bolha de sabão e me fundir, com minhas frágeis membranas, explodir no vento da tarde. Eu quero me entregar ao ar que forte se movimenta e sopra longe daqui.

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