segunda-feira, 25 de março de 2013

Vaga e extensa noite fria

                * La Calme d´eau - Alphonse Osbert (1857 - 1939)


Vaga e imensa noite fria
céu que se abre em fenda paralela
constelações de amor estrelar
sombra que percorre o rio em arrepio
percurso da lágrima invisível
beijo ressonante em leito de luzes benditas

Prende meu pensamento errante no transcorrer de um segundo
como nuvens pairando e absorvendo e precipitando
água sagrada, gota e foz
nenhum sentido passa incólume
fronteira e extensão indefinida
Várzea de láctea via

Sopro cadente de arfar
respiração ontológica
do verde vindo e  nossa posição
astrológica

Entrego me calmamente ao som que vibra
no coração aquático dos peixes,
mito imemorável de mim
no intrincar das raízes astrais
no tilintar da pedra

Véu de silêncio
devir de pertencer
como em mergulho enigmático
(animismo selvagem)
instintos primitivos de orientação

Me preparo para a imersão
só o que me espera é a dissolução do sal
labirintos me conduziram até aqui
sonhando os justos prados
e de tantos prantos desaguados
sou entre eles a que se rejubilou
farei de meu santuário um lençol de luzes
meu remanso eternamente notívago e vago
como a extensa  noite fria.




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