sábado, 23 de março de 2013


Nas profundezas de pressão abissal
peixes suportam o peso de águas seculares
circunscrevem seus corpos irrisórios
à ponto de dissolução
como cápsulas passageiras em deterioração notória

centrifugam em grutas guturais
decantando o denso
e elevando o leve
borbulhas de oxigênio
sal cicatrizante

sussurro solto soando num cosmos blindado
redomas de proteção

a cada ano um novo mundo se desenha
e a cada novo mundo que se ergue insólito
a esfera gira acolhendo e rechaçando o que lhe convém

humores emaranhando-se como plantas tentaculares
crescimento helicoidal
até o azul
celeste e extasiante

Dentro do caleidoscópio
a matriz é ilusionista
bricolagem de anedotas
e dias.

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