sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sinto no compasso grandioso do universo que canta baladas suaves sopradas pelo vento ameno das palavras encadeadas em encantamento. Meu mundo gira no tempo dos pertencimentos e adivinhações. Sou sempre o segredo dos inocentes que irradia certezas de um sereno sentimento de seguridade e silêncio.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Seu lento enternecer
a vibração recíproca
as cartas reveladas na penumbra
nos corpos escritos
segredos de baú
selos e símbolos de sangue
hábitos retrógrados
especiarias aromáticas
artifícios de sentir
para contas de lágrima
lendas de lembranças forjadas
na criação imagética
das folhas bordadas
que secam ao tempo

expostas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Creio nos vapores criados por uma respiração em transe
entre a linha tênue, tudo é transponível
no quarto escuro as visões são internas
instantâneas como flashes
milésimos de segundo
de silêncio imprevisto
na preponderância da queda à 0°
imagens se formam e desaparecem
como encantamento
nas paredes palavras incandescentes
dançam fluorescentes
seus céus particulares


palavras cravam a pele
tatuam urgências
como espinhos riscantes
a coluna dorsal
da noite

vozes invisíveis vagueiam
os porões
proclamando presenças de vertigem
palavras que precisam ser transcritas

e avisam sobre as confrarias desfeitas
a preservação só existe na memória
tudo é fluxo e função

palavras plainam e pairam
me reinterpreto a partir do que leio

tudo é transmutação
e movimento

sábado, 5 de outubro de 2013

Toda palavra é a repetição do verbo
primordial recurso através do verso
expresso
somos o futuro nos moldes do passado
ressignificado e intersubjetivamente
devolvido em sentido
somos o objetivo
do tempo
da gira
da gota d’água
tendência genuína das evidências
no desenrolar da experiência
iniciativa de comunicação
expandida

alma grafia

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O solo da guitarra chorosa
me transporta pro limite
quisto

preciso enxergar a marca d’água
na expressão do pequeno rio que brota
do desejo

os olhos de um sonho
são membranas transponíveis
de um recíproco
eterno retorno

a singela leveza
de um olhar
vertical num corpo horizontal

te chamo
com a música

como fostes entidade
passageiro na remota
viagem
âncora e razão

astronauta de metal
mitificado
foras sim e entre o não
talvez

te esperarei
como esperam os fracos diante
do instante em vão

suspirarei quando sopraste
ao longe
doente de mim
 auspícios
de virtude

e vontade

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

“(...) toda descoberta que verdadeiramente revela um novo aspecto do ser nasce num raio de intuição, antes de ser controlada e justificada discursivamente; mas na poesia o papel da razão intuitiva tornava-se absolutamente supremo. (...) Entramos aí no império noturno de uma atividade primordial da inteligência que, muito além dos conceitos de lógica, se exerce em ligação vital com a imaginação e a emoção.”   Jacques Maritain - L'Intuition créatrice dans l'art et dans la poésie, 1966

sábado, 10 de agosto de 2013


meus símbolos pairam

e comungam com os teus

 

quando insetos na noite alta

larvas anímicas transmutando-se em mariposas oníricas

uma estrela brilhante aflora na abóbada escura da noite profunda

quantos abismos ficam soltos como buracos negros?
 
Portais infernais do etéreo redutível

ao mais ínfimo e imperceptível torque secular

transgredindo morosamente a fome infame


 

Iniciativa

Implacável

liturgia

 

I

tenho o ímpeto de me atirar

pois só vertiginosa a mente gira

em ascensão espiral de pensamento

intuição de disparada que cria


II

Sinto na organicidade fluida da face

em expressão arraigada o rio que corre

pra dentro de mim
 

III

São águas invisíveis

de um calor mortal


 

I
Entre o sono e o sonho

hígida vigília

desperta  hipnotizada

com sentido de lembranças

em expansão

direção de atalaia

paciente

sabatina

 

II

Noções sustentadas por evidências empíricas

 pois há na imaginação forças de efetivação do real,

ainda que o real não seja compartilhado partindo de uma construção altamente pessoal

x

ANTES DE CUNHAR IMAGINAR!

IMAGINAR ANTES DE CRIVAR!

 

elasticamente flexíveis,

volta e trás recordações dispersas, pouco passíveis de descrição

mente –memória em comunhão


 

Hoje só quero sobreviver a mim mesma,

me ultrapassar - transportar

pra outra dimensão

a mente e

esquecer

contornar

conformação

Se todos vivêssemos no bruto estado de natureza

eu não seria uma flor ou uma gota de orvalho,

eu seria força corrente, maremoto ou redemoinho.


 

Escolher meus interlocutores e a medida da exposição

não forçar entendimento, não forjar compreensão

cada um com sua porção de realidade e sua capacidade de condensação

contando que  aceitar o tempo imensurável

que tudo

protela e tudo prevê,

ainda que requeira esmera

de apática cacofonia transversa em representação

é saída complexa e digna de contemplação

fixa e aciona, aperta míopes os olhos e vê

de relance, fonema, sentido

coesão de ritmo de timo acolhido

sinestésico arrepio e meditação

trampolim pra dentro

escorregando lentamente num túnel escuro

profundo, descolado e inerte

desenrolar de línguas de trapo

torcidas e contorcidas

por seus totens- tabu

de cera e de tinta

no papel de azul

caneta

e branca

e rasa

chance.

Energias circulam na mística imperceptível do acaso

dando ritmo às fecundas transmutações orgânicas

da estagnação o tempo da pedra

da fúria o mar contra a rocha

da umidade o tempo da terra

Escrevo para me redimir, me confrontar, me iludir. Escrevo para dar vazão a um substrato mental corrosivo que incita a loucura, escrevo para me livrar da dor, escrevo para contemplar o amor, a natureza e o que há de essencialmente puro e divino.

Meu processo de escrita é impreciso, oscila na perspectiva do fluxo de ideias, às vezes são como correntes aquáticas num oceano de possibilidades, ora frias, ora mornas, o caldo contorce-se na movimentação densa dos organismos primários. Peixes na lama que ganham formas e se debatem contra as rochas milenares. Sentidos ofuscados por membranas torpes, visão distorcida de fragmentos molhados. Quando salta, o peixe vira pássaro e ganha os ares, sente o ar e enfrenta a volta, via queda abrupta, suas nadadeiras não são asas e toda transmutação tem seu tempo.

As ideias me vêm num fluxo incessante que mal me permitem reconhecer a relevância precisa. Ato biografia é essencialmente o que mais me motiva a escrever, mas não sobre os feitos socialmente valorizados, o que me motiva sobre o ponto de vista literário, no sentido de ter o ensejo de construir algo, é uma espécie de autoanálise que vem acompanhada de uma simultânea auto sabotagem via auto exposição denegrida, excessivamente fragilizada, passional.

Sinto a necessidade de simplesmente tentar agir como se as mãos rápidas no teclado pudessem acompanhar o fluxo contínuo do pensamento- expurgo de um cérebro ativo. Salvo que a incorporação é o que fica. A verdade é que sinto uma constante interação de pensamentos meus e alheios capazes de me transmitir imagens e mensagens de conhecimento de dimensões paralelas, assunto delicado que demanda um acurado trato – barreira imaginária que tal como linha tênue é reversível e transponível. Admitir finalmente que nem tudo o que escrevo deve ser publicado, e que, além disso, agora consigo ter uma visão mais abrangente e pensar a poesia para além de sua origem na auto exumação do bem o do mal em mim, de algum sentimento contundente, do inerente processo de escolhas sem fim. Agora passo a lidar melhor com os impulsos, me contendo talvez, ou partindo de um ponto de vista mais maduro acerca do que é escrever e qual é minha verdadeira intenção. O fato é que esses anos de blog tem me servido para desmistificar a escrita e a interação entre o que escrevo e o que reverbera entre os meus convivas, admito que ainda me auto boicoto e que poderia soltar mais a mão e o coração.

 

Com destreza abrupta arrebatadora acertou firme o embolo estourando-o em mil pedacinhos flamejantes que se dispersaram por instantes à fio buscando o firmamento, um horizonte longínquo e indescritível, onde a única coisa que se avistava era a criatura andrógina-  cabeça de aquário, cultivo de peixe solitário, nadando num líquido amniótico repleto de pequeninas  e nutritivas formas geométricas.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013


Meu autêntico e romanesco despertar

me transporta por entre nuvens de incenso e brisa do mar

por estradas oníricas que levam ao querer

 
somos cúmplices jardineiros da aurora etérea

regamos nossas sementes com fluidas correntes da nascente intuitiva que forma o poço das ilusões - das urgências fictícias
 
do que o cosmos reitera

somos seres ainda pulsantes na atmosfera

pairando num plasma de dimensões encontradas

 

                                            o mito do mundo

                                           num minuto pra mim

 

                                                                                    sou a irreconhecível interposição

                                                                                     entre feixes de luzes

                                                                                      e córregos que escorrem

                                                                                           seivas ontológicas

maravilhas do inconsciente arcaico

sussurram sistemas de significação

 

                                                          arquétipos de sombras cintilantes

                                                           em arcos de passagem

 

nos espelhos do rio

a fronteira do fluir

 

                                                                    mistificação do incongruente

 

quando a luz ganhar contornos mais precisos

se lembrará instantaneamente da essência

recuperada

                                              cascatas de água cristalina

                                                      brotando de fendas luminosas

 

Talvez pudéssemos fazer tal como naquela noite em que voando baixo numa paralela dos sonhos, num horizonte longínquo como farejadores do perfume das flores- sobrevoamos numa panorâmica nostálgica de reconstituição visual um oco vale de ressonância ancestral entressachado por linhas cortantes, tal como navalhas hesitantes- antes do alcance do imensurável

o amor incitou minhas inquietações e suspendeu minha respiração até limites insuportáveis de vertigem

 
Quando os pássaros me transportarem em seu eterno revoar

quantas batidas de asas e do coração serão suficientes para encontrar

um senda na escuridão?

 

 quem merece e compreenderia o cultivo das flores invisíveis?

são sutis e simbólicas suas florescências

são lentos seus condões

 

a coragem consiste em deixar escoar-se

até que a chuva interna caia e o corpo na água se dissolva

no mesmo elemento fundamental, único e universal

sedimento do barro no fundo da alma

terreno fértil

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013


Na galeria de luzes e sombras

reflexos, retrocessos e variações

espelho d’água,

poço de ilusão

força de ressonância

sentimento de distância

tão presente quanto um ente sobrenatural

voyeurismo fantasmagórico

preenchendo o vazio

com seus olhos iluminados na escuridão

domingo, 4 de agosto de 2013


 

sou a chama acesa

ardendo lenta e trepidante

num templo de anjos desfalecidos e gárgulas petrificados

mausoléu de espectros

projetando dimensões distorcidas

na tábula rasa

 

sou a sombra subjetiva que invade a sala

a sinergia sinistra que sussurra seu nome

sou a lua cheia num céu de estrelas

sou a ave rara de voo ligeiro

desenhada no tabuleiro

de cartas lançadas


 

Sou o fogo brando

 seu santuário

de sombras

 

calor seguro

sagrado

 

sonho de sentido

sacerdotisa e semente

chama do sol nascente


 

Personagem


 
Teu nome é quase indiferente

e nem teu rosto mais me inquieta.

A arte de amar é exactamente

a de se ser poeta.

 

Para pensar em ti, me basta

o próprio amor que por ti sinto:

és a ideia, serena e casta,

nutrida do enigma do instinto.

 

O lugar da tua presença

é um deserto, entre variedades:

mas nesse deserto é que pensa

o olhar de todas as saudades.

 

Meus sonhos viajam rumos tristes

e, no seu profundo universo,

tu, sem forma e sem nome, existes,

silêncio, obscuro, disperso.

 

Teu corpo, e teu rosto, e teu nome,

teu coração, tua existência,

tudo - o espaço evita e consome:

e eu só conheço a tua ausência.

 

Eu só conheço o que não vejo.

E, nesse abismo do meu sonho,

alheia a todo outro desejo,

me decomponho e recomponho.
 
 
                                         Cecília Meireles

 

sábado, 3 de agosto de 2013

Escrevo e minhas palavras soam alto uma a uma ao leitor embargado. Sombras levemente perceptíveis percorrem seu braço direito enquanto lê estas letras, pequenas centelhas cintilantes te rodeiam, vultos aleatórios vagueiam e evaporam-se facilmente a qualquer espanto, devaneios o incendeiam como um calor etéreo atingindo lentamente diferentes partes fragmentadas de seu corpo. Breves zumbidos confundem seus ouvidos, bem próximo a sua nuca sussurra com sua consciência uma voz alegórica, simultaneamente você pressente uma presença líquida envolvendo o ambiente e percorrendo os cômodos. Você experimenta a sensação de que não está só, chega à súbita certeza de que nós nunca estamos sozinhos e que não cabe ao acaso o delineamento do destino, e que quando o coração pulsa acelerado toda sutileza emerge dos paralelos convergentes, das dimensões aparentemente inexistentes para a maioria dos descrentes mortais que padecerão numa rotatividade sem fim. Eu quero expandir feito bolha de sabão e me fundir, com minhas frágeis membranas, explodir no vento da tarde. Eu quero me entregar ao ar que forte se movimenta e sopra longe daqui.

Rolling Stones-Wild Horses



"let's do some living after we die
Wild Horses, couldn't drag me away"

Três poemas de Herman Hesse


Sem descanso


Alma, temeroso pássaro,

A toda hora perguntas:

Quando virá repouso, quando virá paz,

Depois de tanta luta?

 

Ah, eu sei: mal chegam dias sossegados,

Uma nova saudade já transforma

Cada caro dia teu em um tormento.

 

E, mal oculta no abrigo,

Vais procurar novos dissabores

E cheia de impaciência incendeias

O espaço como a mais nova estrela.

                                                
 
 
Nova vivência
 
Mais uma vez vejo descer o véu,
E o íntimo torna-se estranho,
Novos espaços estrelares chamam,
A alma inibida vaga em sonho.
 
Em novas órbitas, mais uma vez,
Organiza-se em torno de mim o mundo
E eu me vejo puro mago,
Como criança, nele colocado.
 
Mas um tênue pressentimento
Me chega de outras vidas:
Estrelas morreram, estrelas nasceram,
E o espaço nunca esteve vazio.
 
A alma se curva e se levanta,
Respira no infinito,
Nova e mais bela se tece,
Com rasgados fios, a veste de Deus.
                                             
 
Confissão
Doce luz, a teus reflexos
Entrego-me docilmente;
Outros têm metas e desejos,
A mim me basta viver.
 
Tudo me parece alegoria
O que sempre meus sentidos comoveu,
O infinito e o uno,
Que sempre vivo senti.
 
Ler nessa escrita de imagens
Faz minha vida valer a pena,
Pois sei: o Eterno, e o Ser,
Dentro de mim, residem e permanecem.

 
                                                          Herman Hesse
 
 

 
 
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Minha espinha dorsal

                                      a folha em branco

 

todos meus segundos pra você

invisível vibração oscilante de pensamento

 

tatuagem de fogo

 

a cada palavra

                          a marca

 

 

da interpretação

 

 

e quando a luminosidade invade

e cega toda impulsividade

alguma reação que o valha

algum sinal de sentido

 

tremulando feito miragem

num deserto de ficção

num coração de ilusão

faz-se rogação.

 

 

 

 

 

 

 

me alimentei de francas luminescências

que arderam por dentro feito chamas multicores

etéreas evidencias me encobriram de vestígios remotos

soporosas veemências me inebriaram o espírito

desfaleci pálida feito pétala desvitalizada

contorcionismos da alma me arrebataram

 

corto rizomas nocivos

como quem ceifa de um campo minado

o fel dos covardes

 

da passionalidade se faz um peixe

da emoção a patologia



 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Oráculo visceral


Um corpo é consumido

a cada volta intermitente

na translação do dia

na rotação da terra

 

sentindo distancias à frio

e errâncias à flor da pele




 

domingo, 28 de julho de 2013


Meu sol interior gira reminiscências e querências tantas

me consome o espírito e a presença

sorve minha seiva brutal como quem tira a vital centelha

dos lumes essenciais

 

Obscura sombra me toma

e me oculta a visão

desfaleço em transe

de hipnótica perseguição

percebo a relutância

do peixe fora d’água

da falta de confiança

da vida secularizada

destituída de encanto

 

meu amor cultivava sombras,

 não sei ao certo se por capricho ou hesitação

 

seus espelhos distorciam imagens e o próprio tempo

transcendendo o espaço

 

meu cavalo branco alado

alcança alturas celestiais na noite escura

estrelas cadentes ascendem seu caminho

 

Sei que elas o inebriam e ganhavam velocidade conforme padrões de pensamentos arraigados que de tanto acionados despertavam humores imprecisos e oscilantes

no cosmos integrado

todo nome sussurrado encontra seu ouvido

faíscas de receio

aqueles últimos escritos precisavam ser refutados?

era necessário que soubesse o quanto tocou

para muito além do arrependimento

ainda que os corpos careçam da

plausível e plástica realidade

da confirmação desnecessária

o organismo falece de confortos sensíveis

como a chuva forte caindo para acalmar

despertando o cheiro de erva fresca

macerada ao barro de fractais pressões d’água

 

gotas de mundo fragmentos de você

Insubstanciais segundos

despencando de uma atmosfera imprecisa

 

E era preciso desprender-se de si como quem faz a muda, trocando toda a pele já impregnada por tantas dores e histórias de tantas esferas marcadas que compreendem e interpenetradas atuam desenfreadas quando em ambientes que as ignoram, e por vezes essas vozes que acompanham soam como humores falidos de intuição depreciativa. É necessário abafar certas vozes e se colocar num movimento de contorno e conquista de novos ares.

Se colocar numa vibração de elevação como desafio contínuo e inquestionável, não se deixar levar pelas asas negras de uma imaginação denegrida. Fortalecer no pensamento lúcido de permanência.

O caráter heurístico de suas investidas não disfarçava o fardo sutil acoplado em seu dorso por descuido.

 

Tenho na pele tatuado um eclipse

porque só o sol não me basta

porque só a lua me é como a noite rasa

falta ilusionismo de estrelas passageiras

no cadente ritmo dos vórtices de luz  e quando sopra o vento

no voo de sementes aladas fecundando a estação do tempo inerente

me sinto pertencente a este misterioso movimento dos astros magnéticos

no melancólico enternecer dos registros imagéticos, na confusão das vozes dissonantes

confirmo a força do meu pensamento na confluência de forças afins

quando flores de castidade forem mais polêmicas que as da promiscuidade

confessaríamos os segredos mágicos de quem pretende a expansão

 

Descobri singelas verdades sobre o comportamento ordinário das sombras, como elas se portam e quais seus passatempos prediletos. Sei que tem a ver com nossos hábitos e a abertura para pensamentos perigosos. Atesto o poder de penetração em âmbitos de difícil acesso, transposição de paredes como um fantasma vivo.

E era preciso estar atenta, com o coração ressonante para captar a efemeridade de letras tão fortes e significantes. Rasuras impressas em folhas de papel e espalhadas por toda a casa. Ventania dentro d’alma, revirando tantas letras desastradas, espalhando os estilhaços de sol, percorrendo os cômodos e devastando os vestígios de mim. Decifrando e recolhendo os indícios de nós.
Lírios de espelhos
na imprecisão dos contornos da noite
luz branca permeando as pálpebras

Até quando lerei apaixonada escritos que disparam o coração
 

Colecionava flores secas dentro de páginas de livros, os mortos às ofertavam embaraçados por fazer a corte a uma donzela telepática.

Quantas feridas ardem como labaredas cujas chamas ascenderam tornando-se anjos sombrios

 sol à pino, na cumeeira das grandes ideias, quem poderia captar tal magia, quem se importa?

no reconhecimento antecipado, quando o aperto no peito traz a sensação de incompletude

quando a realidade abrange outras dimensões

estou o tempo todo aqui

em busca de um conto de fadas

Ninguém está pronto e todos crescemos com a dor, mas a transposição dos desejos mundanos é a base para alcançar os degraus do celeste

 
Ao som que vibra e alcança

destino a corda tensionada ou

bamba em movimento

razão e contra senso

que desflora numa intenção disforme

solta como vento

naqueles tempos os signos falavam de conexões astrais

 confusas amarrações estrelares

auto-declaradas disfunções

influxos ao som que reverbera

meu pulso

minha letra

meu recurso


dos processos subsequentes e falíveis – passivamente protelados, como quem mastiga a própria língua, como quem engana a própria sorte, como quem desmerece a poesia, como quem comete a heresia da escolha, como quem finge não ser sendo inevitável. Vicissitudes do incontestável rumor ancestral, que trouxe imagens e símbolos de um outro recorte de plano astral desde momentos remotos situados em confins- portinholas da memória.

Tenho a paciência e a compaixão do oceano-pretensão de espera/ pretensão de esferas complementares/ de cumplicidade

Sua espera a envolve num casulo caótico de reverência postular e entrega a fatalidade.

quarta-feira, 24 de julho de 2013


Suspensos na tênue linha imaginária que separa a insanidade da iluminação sutil

no acordo implícito da sintonia

Vento varrendo os vales e quem acredita na sincronia das tardes?

Na presença de animais de poder que espreitam, de luzes que giram significâncias, na transposição de limites translúcidos, na emergência do pulsar cardíaco desgovernado

 sinto um torpor de sonho enigmático decifrando o não agir, o desistir, o desligar

 Saber da ocorrência de planetas internos gravitando em supressões circulares e da existência de sóis com labaredas multicores ardendo no interior dos seres

alma de serenar, no entardecer das memórias, momento de aquiescer

confiar na estrela guia e passageira

na constância das forças do cosmos

e na transmutação eterna das continuidades

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Meus elementais comungam a consonância sagrada do cosmos
da unidade que se rebenta contra os contornos do tempo
abro margem para entendimentos
delineamentos sutis

Minha experiência engloba realidades expandidas
vão de encontro por sintonia e interesse de lembrança primordial
e quando toda interpretação for sincronia
de estrelas numa conjunção de luz
ascendo como arrepio dorsal numa noite de cristais áureos

Constelações errantes dançam ao som magnético do encanto
traços paralelos nas trajetórias das órbitas lunares
Quantos desenhos um céu pode sonhar?
Quantas conexões extrapolam as fronteiras da materialidade sensível?

Vento solar e torrente devir
efêmeros sentidos captados como a brisa suave
expressivos por sua brevidade
simplesmente passam e significam


Flávia Amaro

terça-feira, 16 de julho de 2013

Densa bola de fogo cósmica primitiva
mitos de sincronicidade e elegia
em órbitas disformes
fração de estrelas
giros de mundos internos na latência do sol
erradicadas raízes de raios elétricos num céu de expansão
nuvens gravitam sobre cabeças distantes pelas fronteiras físicas
oscilando no plano galáctico das confirmações
padrões espirais de uma geometria milenar
que remetem à unidade- às profundezas abissais dos ciclos de sempre
na transposição do eterno devir
existir!

domingo, 14 de julho de 2013

Eternamente

Eternamente

Leve como sopro sideral
poeira cósmica sinérgica
avassaladora
significante
tempo pretérito-presente
plasmando o pulsar próximo
e outros sentidos de pineal conexão


O que sonha acordado e acorda dormindo

 

O que é raro, puro e genuíno

 

O que pode extrapolar o óbvio

 

O que dentro e forte ressoa

 

O que alcança o indivisível

 

O que ilumina e faz vibrar

 

O que excita na lira

 

O que silencia

 

do mito,

do amor!

 

 

 

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Subje(a)tivismo

transpor o vazio através da imaginação
desejo que cria a partir do interesse
resgatar a lembrança arcaica submersa

Te quero livre
verso solto e vento forte
do cerrado das almas alegres
força motriz de significância
matriz luminosa de condensação
de iluminamentos sutis
de signos de quase contentamento
e decifração

sou seu pensamento
na medida em que você é o que pensa

sou sua  memória seletiva
da emoção do que ainda será

quando o medo impera é o que emperra
raízes de inconsciente arraigado num lago de lama e caos primordial

o barro precisa ser moldado
a consciência desperta
a presença germinada
alcançar as estrelas mais altas das utopias internas
amor e companhia
estar no equilíbrio
do aqui e agora
à hora do dia
e irradiar espontaneidade nos giros de todas as ordens

todo pensar é uma semente
na potência do grão 
é preciso a umidade e o calor
dos raios da esfera lunar
acesos no coração dos peixes profundos

sinto-te próximo
pensamento de ressonância
possessão do invisível vir a ser
chama azul tocando a face como presente,

no presente

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Há de se ater sempre
num contínuo esforço imaginário
onde toda obstinação de visagem 
investida em  excursões de pensamento
e corpo arraigado
à desdobrar-se
como um pendulo poderoso
ora ia o mistério,
e ora voltava criatividade
trazendo imagens fluídas
como símbolos do inconsciente
na presença do trajeto
entre o nada e o excesso

Eles se aproximam
chegando cada vez mais perto,
 vindos de todos os lados,
às vezes até de dentro pra fora,
assumindo diferentes formas
e traquejos comunicativos,
estabelecem contato
e logo tomam domínio

quando disfarçados de pássaros
assobiam
melodias hipnóticas
indivisíveis
invadindo sem hesitar
seu lar
de ilusão

quando luzes
podem ser policromos anacrônicos
sempre presentes e talvez pouco acessados
invisíveis
como pequenas auroras bureais
na altura de sua cintura
e você se joga na energia
azul celeste, rosa escarlate, verde neon


brumas brancas
nuvens baixas doando uma energia alucinada ao cosmos
que te acolhe feito bebe no paraíso primordial

terça-feira, 7 de maio de 2013


Nenhum dia passado sob o sol, embaixo de uma árvore, à beira de uma água que corre terá sido em vão, qualquer folha que cai traz consigo a noção do tempo perdido e do tempo potência de criação/destruição. Até mesmo o quase imperceptível estalar do prado que se converte em dourado no tempo do vento solto se sente inerente à terra que o conforta em ciclos. E quando se contempla a natureza se está no aqui e agora, na necessidade ontológica que ancora os corações em busca. E quando a abóbada celeste se abre a um olhar/palavra sensível, atento às nuances de luzes que se ascendem e dançam no sutil cosmos engatilhado de significações, o silêncio se irmana ao amor sóbrio à sombra do sono oculto.
Que todo organismo encontre seu fluxo e o respeite e o enfrente, posto que é dissolúvel, mas que siga seu rumo, seu trânsito noturno. No onírico domínio das fábulas e verossimilhanças, seu destino total, de sal, posto que é lagrima e não se cristaliza, mas escorre até o peito percurso rumo ao primordial e elementar existir- oceano profundo.