domingo, 30 de setembro de 2012

virtual


I
Como se possível fosse
todo hábito arraigado
seria supressão de dificuldade
não enfrentamento cotidiano
comodidade dispersiva
esvaziamento de sentido
esgotamento intuitivo
ganho de tempo
disponibilidade para o
ócio criativo


II
Sem o hábito seriamos jogados à própria sorte
num ballet de improviso onde existe o lobo e o próprio homem
Neofílico e herege



III
Que inteligência superior determinou?
Que preencheríamos lacunas de campos destinados
a uma imaterialidade virtual que nos padroniza como tal.
Identidade reificada em rede social
vitrine descorporificada




                                                     * Olaj Hayek

LEGITIMADO PRAGMATISMO VAZIO
O COTIDIANO ME HAVIA ESVAZIADO
AGORA EU ERA UMA ARCABOUÇO EXTERNO
E UM SOPRO DE SURPRESA E LEVE BRISA
ENCONTREI SENTIDO NA SENDA SAGRADA
DA MORADA INTERNA DOS DEUSES ANÍMICOS

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


Um sorriso é uma pausa na distância
é quando sua feição alcança a 
lembrança da pureza.

sábado, 22 de setembro de 2012



Palavras costuram vãos de intenção 
descortinam véus de sentidos 
lumes de proximidade espontânea

Palavras reverberam sincronia de
fôlegos híbridos queimando como fogos
em chamas lascívias de transmutação

Palavras chegam antes do entendimento
surgem de fontes suspensas
despertando vontades adormecidas

Palavras ficam soltas no cosmos
se deslocam feito animus nuvem
riscando sendas de significância
ascendendo nuances certeiras
acessando mistérios oblíquos

Palavras ativam o estado vibracional
do coração e da lembrança mítica
que só a ti pertence



à espreita da letra
numa tarde morosa
sinto um pouso suave 
na pele da coxa
tinha pequenas patas
mil olhos multifacetados
e agora não voava, andava
e a qualquer repuxar muscular
assustava, a pequena criatura e
seu delicado tato de
cócegas observáveis
eis a mosca que escapou da sopa
e me contou um segredo
eis a mosca cabível e espiã
voa faceira e discreta
em meu omoplata dispara contra
notívagos de saturno
mais insisto
sinistro
aqui sentada e concentrada num trabalho mental
sinto uma sombra dormente
primeiro inconfundivelmente dispara gasturas
depois levemente pressiona e contraí mãos e dedos
um estalo, ela persiste, um barulho
então recaio letargicamente em sonolência
o coração acelera, os pensamentos vem engatilhados
como em mudança de slides mentais
são vagas imagens
de lugares e pessoas
abstrações conexas- contextuais
interpretação de vontade e miragem
anunciadas pela presenta de um inseto magístico

Anestesia de
lateralidades indutivas
adormecimento dos humores
esquecidos
no sutil sopro de ensurdecer
capilaridades costuradas
pelas agulhas e franjas de Jó
no aleitamento intenso
onde surgem os
sinais de patologia crônica
e de tormenta
de  raios
suplantados –
acuados
para um próximo solstício
inaugural 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012





existem silêncios de abismo
e silêncios habitados

o primeiro tem o som de vácuo
o segundo de zumbido

tolhidos

Colecionamos repressões arraigadas
nossos hábitos são obituários coercitivos
o autoritarismo padece frente a iniciativa
qualquer ordem poderia ser melhor cumprida
temos na prática a reprodução
e no alcance a idéia vencida
ironia temerosa, apatia

quando tolhidos encontramos na revolta a resposta
na resistência a melhor residência afetiva

me mostre seus dentes que eu já sei rosnar
minha artilharia é argumentativa
meu exército é mental
ainda que não menos real
enfrentamo-nos 
dia após dia

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pássaro de cravo


Maggie Taylor


o que é imediato à carne pulsa
o que é eterno ao espírito atormenta

pensamento alheio a visão
sopro de sentido
escrito na mão do tempo

               



* Postagem publicada inicialmente no blog Manufatura: http://manufatura.blogspot.com.br/

terça-feira, 18 de setembro de 2012

fio de corte



Southern Gothic - Maggie Taylor


luzes pedem trégua anestésica
interstício de conexão
entre o anímico intuitivo domínio
e o real forjado esperado e evasivo

seqüenciais projetores sinalizam
o descarrilar dos trilhos imagéticos
qualquer sentido fica à beira do cismo

na lâmina do equilíbrio
qualquer pulsão de fôlego provoca vertigem

equilíbrio transversal,
na orientação do presente
da origem ao poente

estelares reminiscências
de esferas nostálgicas de brilhos
que circulam sortilégios e advertências

atenção de equinócio
suspeitas celestes singram silentes
afãs ondulações de mares internos
alinhadas à lembrança do sol de trajeto

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

do perenal da pedra.


saltar a pedra
para suar o sal

sentir o sal
para cristalizar a pedra

queimar o sol
para virar pó

voar pó
para ser sol

e irradiar
ondas de luz
ilusão orgânica

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sobrevivência- breve vidência


Intricada armadura
engessada na debilidade
letárgica da angústia
cotidiana

o não sentir
estático
e a cumplicidade do silêncio
apartado no momento do erro
(des)humano

somos raros e indivisos, cada um com sua trajetória
urdida na expectativa da memória ascendida
desde sombras amorfas à junções vibracionais

celestiais compassos de iluminação mental

que se firmam na busca pelo equilíbrio
entre o querer e o ser
adquirido
por resignada atenção e
atitude altruísta

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


viver a ilusão da falta
quando toda presença preencher

sentir uma leve apatia
como quem espera no ponto o trem

sintonizar calma e resignadamente
numa versão quase ascética

sonhar livre e lucidamente
despertar devagar

lapsos

Rene Magritte- Invisible world, 1954

tudo se antecipa numa dimensão paralela
meses, acontecimentos, dias
no entendimento são milésimos
de segundos
dispersos  e precedentes
e quando se efetivamente descobre
o que o real te apresenta
descortinado
irrevogável prenda
que te pertence e te prende
ou aceita e trabalha
ou enlouquece e se
entrega
à qualquer paixão que o valha

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


falo baixo como quem respira alto
nossas palavras engatilhadas
ficam soltas no cosmos

nunca estou só
nem nos pensares
estou isenta de reconhecimento

cochicho comigo
e longe de mim

falo manso como quem pretende ir adiante
somente para raros e inconstantes

diamante riscando
o som que divaga
e não se prende
a nada

simplesmente gira a mesma melodia 
que é para produzir uma seqüência plausível de ressonância
dó, si, silêncio
quando não se precisa mais do tempo

escrito que entorna a escrivaninha
enquanto o vinho seco, cuida do resto


domingo, 9 de setembro de 2012

dissolve


Nos desertos de sal
harpas sozinhas entoam
desmedidas sintonias

vórtices de mandala
e rosas de cheiro

véus ganham alturas
de éter exalado

dedilhar o manuscrito
artefato de enigma

o que houver de grande
o céu abarca
o que houver de forte
a água dissolve

 no ermo
do oceano onde
o  eco

alivia o hálito de vento
cintila uma luz suave
no desfiladeiro

escorregar
feito seda
de leito
e corredeira
 rio
adentro
feito gruta de embrenhar
feito pedra e osso
de perdição

Pêndulo do inconsciente


Há de se ater sempre
num contínuo esforço imaginário
onde toda obstinação de visagem  
investida em  viagens de pensamento
se ancore ou decante

seu desdobrar era como um pendulo poderoso,
ora ia cheio de mistério,
ora voltava cheio de criatividade
trazendo imagens tão fluídas
como símbolos do inconsciente

presença de trajeto
entre o nada e o excesso

sábado, 8 de setembro de 2012

Não sinto nada que não possa ser considerado
vontade

Toda intenção que me direciona,
segue minha própria sombra de ilusão

flexibilidade para perceber a água que corre


da vislumbrança se fez a lembrança
da vertigem a miragem e a fantasia
da atenção o ato
do circuito o fato
do cuidado o labor
da sutileza o caminho
da solidão a unidade
e da intenção o destino
imune de minh’alma arraigada