sexta-feira, 20 de julho de 2012


trinta raios rodeiam um eixo
mas é onde os raios não raiam
que a roda roda.
vaza-se a vasa e se faz o vaso
mas é o vazio que perfaz a vasilha.
casam-se as paredes e se encaixam portas
mas é onde não há nada que se está em casa.
falam-se palavras e se apalavram falas
mas é no silêncio que mora a linguagem.
o ser faz a utilidade
mas é o nada que perfaz o sentido.

Lao Tsé, um poema do Tao-Te-King
Tradução: Emmanoel Carneiro Leão

sexta-feira, 6 de julho de 2012



Acima e abaixo dos seus olhos
nas extremidades quase cegas da visão,
movimentam-se sutis como sombras
pequenas nuvens anímicas
de pensamento pesado.
E como em desenho animado,
 negra plaina,
quando se auto 
engana

terça-feira, 3 de julho de 2012

todo tempero



Sempre sangrando se encontrará a terra que da lava escorre magma adormecido
por baixo das placas trepidantes, no centro que concavidade oca e flutuante
tantos segredos sustentados pelo caldo do cosmos fluído secretado
pelas protuberantes ilhas de nós à norte e à lestes, centrais, espirais
como escadas serpenteadas pelo engano movediço, ilusão de queda vertiginosa
salto no desterro da vida carnal, nuvem de pluma, ossos quebrados e colados pela luz do sol
que lambe toda ferida e ascende à clarividência noturna, o desconfiar ainda insone
pouco consciente das reviravoltas certeiras que levam ao éter exalado
como em adocicada sálvia e salgado coentro
sais de enlevo e bruma.