sexta-feira, 8 de junho de 2012


Relatos iniciais
Naquele instante sentiu pulsar forte o coração e os tímpanos embalados pela música universal, de onde todas as línguas eram proferidas simultaneamente como num mantra hipnótico. De onde todos os instrumentos inimagináveis estavam presentes e cadenciavam juntos e harmonicamente melodias que sovam de dentro para fora produzindo um efeito corpóreo vibratório e contagiante, estimulando músculos diversos na busca pelo movimento incessante.
E se girava como na infância andando nas nuvens com um espelho nas mãos e certa vez avistou um portal, tal como uma fenda ilusória margeada de arco Iris onde se podia caminhar sobre cristais cintilantes e multicores em formato de pequenos losangos nostálgicos. Lembrou do dia na cachoeira das Freiras onde avistou pequenos vórtices de luz bem acima da grande queda de 45 metros, da comunicação visual com os pássaros e outros pequeninos iluminados. De dentro do poço borbulhante como um liquidificador a água era antiga, tão ancestral quanto aquelas árvores, aquela pedra e aquelas pessoas e energias.
Não era necessário distinguir nada, sua cognição já ultrapassara a esse ponto qualquer expectativa, deitada, sonhando acordada nenhuma quebra de ossos seria capaz de despertá-la do que por enquanto era apenas projeção, intenção irrevogável. Só vontade!

2 comentários:

  1. Começas nas alturas.
    Belo texto.
    Abraço.
    Gilson.

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  2. Juliana Bom-Tempo1 de agosto de 2012 13:00

    Adorei o texto, a poetica simples que está na vida, nas coisas, nas palavras que deliram...
    Bjos e obrigada.
    Ju Bom-Tempo

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