terça-feira, 18 de dezembro de 2012


*Olaf Hajek

Quero a espontaneidade de crianças brincando
o sorriso frouxo e a mente acordada
a menor distância e
a comunicação expandida
para além do
“curtir”.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012



quanto mais minha consciência se desloca
mais leve me torno para seguir na senda
da escalada na montanha sagrada
descortinada quando em imaginação integrada 
para além dos trópicos e dos horizontes
das brumas e da noite escura
além da ilusão
luz- coração

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Viagem dentro de ti

                                                                              *Olaf Hajek


Faltam-te pés para viajar?
Viaje dentro de ti mesmo,
E reflete, como a mina de rubis
Os raios de sol para fora de ti
As jornadas trazem Amor e poder
de volta para você.
Se você não pode ir a lugar algum
Mova-se nos caminhos do self.
Eles são como raios de luz,
Sempre mudando, e você muda
Quando os explora.
Uma viagem como essa
Pode transmutar teu pó em ouro puro.

Nasrudin

domingo, 30 de setembro de 2012

virtual


I
Como se possível fosse
todo hábito arraigado
seria supressão de dificuldade
não enfrentamento cotidiano
comodidade dispersiva
esvaziamento de sentido
esgotamento intuitivo
ganho de tempo
disponibilidade para o
ócio criativo


II
Sem o hábito seriamos jogados à própria sorte
num ballet de improviso onde existe o lobo e o próprio homem
Neofílico e herege



III
Que inteligência superior determinou?
Que preencheríamos lacunas de campos destinados
a uma imaterialidade virtual que nos padroniza como tal.
Identidade reificada em rede social
vitrine descorporificada




                                                     * Olaj Hayek

LEGITIMADO PRAGMATISMO VAZIO
O COTIDIANO ME HAVIA ESVAZIADO
AGORA EU ERA UMA ARCABOUÇO EXTERNO
E UM SOPRO DE SURPRESA E LEVE BRISA
ENCONTREI SENTIDO NA SENDA SAGRADA
DA MORADA INTERNA DOS DEUSES ANÍMICOS

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


Um sorriso é uma pausa na distância
é quando sua feição alcança a 
lembrança da pureza.

sábado, 22 de setembro de 2012



Palavras costuram vãos de intenção 
descortinam véus de sentidos 
lumes de proximidade espontânea

Palavras reverberam sincronia de
fôlegos híbridos queimando como fogos
em chamas lascívias de transmutação

Palavras chegam antes do entendimento
surgem de fontes suspensas
despertando vontades adormecidas

Palavras ficam soltas no cosmos
se deslocam feito animus nuvem
riscando sendas de significância
ascendendo nuances certeiras
acessando mistérios oblíquos

Palavras ativam o estado vibracional
do coração e da lembrança mítica
que só a ti pertence



à espreita da letra
numa tarde morosa
sinto um pouso suave 
na pele da coxa
tinha pequenas patas
mil olhos multifacetados
e agora não voava, andava
e a qualquer repuxar muscular
assustava, a pequena criatura e
seu delicado tato de
cócegas observáveis
eis a mosca que escapou da sopa
e me contou um segredo
eis a mosca cabível e espiã
voa faceira e discreta
em meu omoplata dispara contra
notívagos de saturno
mais insisto
sinistro
aqui sentada e concentrada num trabalho mental
sinto uma sombra dormente
primeiro inconfundivelmente dispara gasturas
depois levemente pressiona e contraí mãos e dedos
um estalo, ela persiste, um barulho
então recaio letargicamente em sonolência
o coração acelera, os pensamentos vem engatilhados
como em mudança de slides mentais
são vagas imagens
de lugares e pessoas
abstrações conexas- contextuais
interpretação de vontade e miragem
anunciadas pela presenta de um inseto magístico

Anestesia de
lateralidades indutivas
adormecimento dos humores
esquecidos
no sutil sopro de ensurdecer
capilaridades costuradas
pelas agulhas e franjas de Jó
no aleitamento intenso
onde surgem os
sinais de patologia crônica
e de tormenta
de  raios
suplantados –
acuados
para um próximo solstício
inaugural 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012





existem silêncios de abismo
e silêncios habitados

o primeiro tem o som de vácuo
o segundo de zumbido

tolhidos

Colecionamos repressões arraigadas
nossos hábitos são obituários coercitivos
o autoritarismo padece frente a iniciativa
qualquer ordem poderia ser melhor cumprida
temos na prática a reprodução
e no alcance a idéia vencida
ironia temerosa, apatia

quando tolhidos encontramos na revolta a resposta
na resistência a melhor residência afetiva

me mostre seus dentes que eu já sei rosnar
minha artilharia é argumentativa
meu exército é mental
ainda que não menos real
enfrentamo-nos 
dia após dia

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pássaro de cravo


Maggie Taylor


o que é imediato à carne pulsa
o que é eterno ao espírito atormenta

pensamento alheio a visão
sopro de sentido
escrito na mão do tempo

               



* Postagem publicada inicialmente no blog Manufatura: http://manufatura.blogspot.com.br/

terça-feira, 18 de setembro de 2012

fio de corte



Southern Gothic - Maggie Taylor


luzes pedem trégua anestésica
interstício de conexão
entre o anímico intuitivo domínio
e o real forjado esperado e evasivo

seqüenciais projetores sinalizam
o descarrilar dos trilhos imagéticos
qualquer sentido fica à beira do cismo

na lâmina do equilíbrio
qualquer pulsão de fôlego provoca vertigem

equilíbrio transversal,
na orientação do presente
da origem ao poente

estelares reminiscências
de esferas nostálgicas de brilhos
que circulam sortilégios e advertências

atenção de equinócio
suspeitas celestes singram silentes
afãs ondulações de mares internos
alinhadas à lembrança do sol de trajeto

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

do perenal da pedra.


saltar a pedra
para suar o sal

sentir o sal
para cristalizar a pedra

queimar o sol
para virar pó

voar pó
para ser sol

e irradiar
ondas de luz
ilusão orgânica

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sobrevivência- breve vidência


Intricada armadura
engessada na debilidade
letárgica da angústia
cotidiana

o não sentir
estático
e a cumplicidade do silêncio
apartado no momento do erro
(des)humano

somos raros e indivisos, cada um com sua trajetória
urdida na expectativa da memória ascendida
desde sombras amorfas à junções vibracionais

celestiais compassos de iluminação mental

que se firmam na busca pelo equilíbrio
entre o querer e o ser
adquirido
por resignada atenção e
atitude altruísta

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


viver a ilusão da falta
quando toda presença preencher

sentir uma leve apatia
como quem espera no ponto o trem

sintonizar calma e resignadamente
numa versão quase ascética

sonhar livre e lucidamente
despertar devagar

lapsos

Rene Magritte- Invisible world, 1954

tudo se antecipa numa dimensão paralela
meses, acontecimentos, dias
no entendimento são milésimos
de segundos
dispersos  e precedentes
e quando se efetivamente descobre
o que o real te apresenta
descortinado
irrevogável prenda
que te pertence e te prende
ou aceita e trabalha
ou enlouquece e se
entrega
à qualquer paixão que o valha

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


falo baixo como quem respira alto
nossas palavras engatilhadas
ficam soltas no cosmos

nunca estou só
nem nos pensares
estou isenta de reconhecimento

cochicho comigo
e longe de mim

falo manso como quem pretende ir adiante
somente para raros e inconstantes

diamante riscando
o som que divaga
e não se prende
a nada

simplesmente gira a mesma melodia 
que é para produzir uma seqüência plausível de ressonância
dó, si, silêncio
quando não se precisa mais do tempo

escrito que entorna a escrivaninha
enquanto o vinho seco, cuida do resto


domingo, 9 de setembro de 2012

dissolve


Nos desertos de sal
harpas sozinhas entoam
desmedidas sintonias

vórtices de mandala
e rosas de cheiro

véus ganham alturas
de éter exalado

dedilhar o manuscrito
artefato de enigma

o que houver de grande
o céu abarca
o que houver de forte
a água dissolve

 no ermo
do oceano onde
o  eco

alivia o hálito de vento
cintila uma luz suave
no desfiladeiro

escorregar
feito seda
de leito
e corredeira
 rio
adentro
feito gruta de embrenhar
feito pedra e osso
de perdição

Pêndulo do inconsciente


Há de se ater sempre
num contínuo esforço imaginário
onde toda obstinação de visagem  
investida em  viagens de pensamento
se ancore ou decante

seu desdobrar era como um pendulo poderoso,
ora ia cheio de mistério,
ora voltava cheio de criatividade
trazendo imagens tão fluídas
como símbolos do inconsciente

presença de trajeto
entre o nada e o excesso

sábado, 8 de setembro de 2012

Não sinto nada que não possa ser considerado
vontade

Toda intenção que me direciona,
segue minha própria sombra de ilusão

flexibilidade para perceber a água que corre


da vislumbrança se fez a lembrança
da vertigem a miragem e a fantasia
da atenção o ato
do circuito o fato
do cuidado o labor
da sutileza o caminho
da solidão a unidade
e da intenção o destino
imune de minh’alma arraigada

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

fantasmas cotidianos


Escuto seu murmúrio dissonante da mesmice que se firma nessa fluida tentativa de comunicação simultânea, sou a roldana que te iça da lembrança, só com a força do pensamento. Desde quando confirmações são válidas, desde quando submundos se expressam com seguridade? Tudo é sobreposto, e a leveza depende da vibração consentida/conseguida no arranque lúcido das horas sossegadas. E no seu tempo, sem coligações que te prendem poder voar com mais clareza, voltando sempre para o ponto em movimento de onde partiu. E assim sucessivamente, noite após noite, dia após dia.

domingo, 26 de agosto de 2012

Imaginação anímica



Existem rituais mentais

e quando todo refúgio
exprimir símbolos

signos de sortilégios,
contínuos em lúcidos
ou adormecidos domínios

há de se intuir o sensível
intersubjetivo anímico

inseparável e insubstituível
essência individual

motivadora por excelência
da pura escolha.

domingo, 12 de agosto de 2012

Metáfora da água


“Se nada em seu interior está rígido
As coisas exteriores se abrirão por si mesmas
Em movimento, assim como a água;
Quando quieto, como um espelho
Responde como um eco.”

                                   Chuang-tzu

sábado, 11 de agosto de 2012

Vértices de luz


Naquelas matas inclinadas, me equilibrando na ponta de uma pedra presa por raízes magnéticas. Imantadas pelo magma da Terra esfriada, inerte e mineral, que tantos dias se energizando no calor do sol, agora irradia por raízes invisíveis de um dourado líquido que corre por entre essas veias de fluxo contínuo e desemboca no cardíaco pulsante forte. Emoção e vislumbrança.

Quando os morros ganham um contorno azul e branco intenso, brilhando encantamentos.

E a água corre seivas de chuva e de natureza vegetal, fertilizando todas as vidas incandescentes e multiplicando luminosidade,
Gira uma roda de Rosa dos Ventos!
Vértices rápidos de luz.

sexta-feira, 20 de julho de 2012


trinta raios rodeiam um eixo
mas é onde os raios não raiam
que a roda roda.
vaza-se a vasa e se faz o vaso
mas é o vazio que perfaz a vasilha.
casam-se as paredes e se encaixam portas
mas é onde não há nada que se está em casa.
falam-se palavras e se apalavram falas
mas é no silêncio que mora a linguagem.
o ser faz a utilidade
mas é o nada que perfaz o sentido.

Lao Tsé, um poema do Tao-Te-King
Tradução: Emmanoel Carneiro Leão

sexta-feira, 6 de julho de 2012



Acima e abaixo dos seus olhos
nas extremidades quase cegas da visão,
movimentam-se sutis como sombras
pequenas nuvens anímicas
de pensamento pesado.
E como em desenho animado,
 negra plaina,
quando se auto 
engana

terça-feira, 3 de julho de 2012

todo tempero



Sempre sangrando se encontrará a terra que da lava escorre magma adormecido
por baixo das placas trepidantes, no centro que concavidade oca e flutuante
tantos segredos sustentados pelo caldo do cosmos fluído secretado
pelas protuberantes ilhas de nós à norte e à lestes, centrais, espirais
como escadas serpenteadas pelo engano movediço, ilusão de queda vertiginosa
salto no desterro da vida carnal, nuvem de pluma, ossos quebrados e colados pela luz do sol
que lambe toda ferida e ascende à clarividência noturna, o desconfiar ainda insone
pouco consciente das reviravoltas certeiras que levam ao éter exalado
como em adocicada sálvia e salgado coentro
sais de enlevo e bruma.

segunda-feira, 11 de junho de 2012




O intermediário entre o efêmero e o eterno
fluido sedimento cósmico
O que da terra escorre e
o que da terra é
forma e feito
transição
travessia
água e



sexta-feira, 8 de junho de 2012


Relatos iniciais
Naquele instante sentiu pulsar forte o coração e os tímpanos embalados pela música universal, de onde todas as línguas eram proferidas simultaneamente como num mantra hipnótico. De onde todos os instrumentos inimagináveis estavam presentes e cadenciavam juntos e harmonicamente melodias que sovam de dentro para fora produzindo um efeito corpóreo vibratório e contagiante, estimulando músculos diversos na busca pelo movimento incessante.
E se girava como na infância andando nas nuvens com um espelho nas mãos e certa vez avistou um portal, tal como uma fenda ilusória margeada de arco Iris onde se podia caminhar sobre cristais cintilantes e multicores em formato de pequenos losangos nostálgicos. Lembrou do dia na cachoeira das Freiras onde avistou pequenos vórtices de luz bem acima da grande queda de 45 metros, da comunicação visual com os pássaros e outros pequeninos iluminados. De dentro do poço borbulhante como um liquidificador a água era antiga, tão ancestral quanto aquelas árvores, aquela pedra e aquelas pessoas e energias.
Não era necessário distinguir nada, sua cognição já ultrapassara a esse ponto qualquer expectativa, deitada, sonhando acordada nenhuma quebra de ossos seria capaz de despertá-la do que por enquanto era apenas projeção, intenção irrevogável. Só vontade!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Esta noite


meu sonho consciência
seguirá por sendas secretas
lúcido e luminoso
construindo minhas
próprias lendas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PAIRA
GIRA
INCORPORA
DECANTA
CAI
 POR TERRA

r i o


Somos o rio, a gota e a margem
somos miragem
ilusão
poeira cósmica sedimentada
na vaga, no leito, no pleito
desfecho contínuo
de ir e vir
sentindo
se

AH, GIRASSOL




Ah, Girassol, que o tempo exaure!
Que medes do sol a passada;
E buscas aquele áureo clima
Que é o rumo de nossa jornada:
Lá onde a ardente Juventude
E a Virgem que em neve se veste
Do túmulo se erguem e aspiram
Ao rumo que só tu soubeste.



William Blake – Canções da Inocência e da Experiência




terça-feira, 29 de maio de 2012

Isso para quando em sonho corro e não saio do lugar


Nem com toda transcendência
se preenche
Rabo de olho e raio de alcance
e numa gradação permissiva
os encaixes não se dão completamente
E tudo fica projetado
como escudo, adorno ou extensão parasita
de letárgica entrega sangue suga
numa morosidade de mosca que passeia na perna
e onde qualquer ato abrupto assusta espantando
todo sopro, arrepio ou encanto

Era necessário virar uma estátua de vigília
Espanta alho de vampiro
espelho falho
funil de luzes e sombras
redemoinho
para que a cada segundo de eternidade
uma lembrança inteligível
resguardasse
selvagem
meu tino sensível
e me guiasse no escuro
ainda que em desatino
para a fonte luminosa de todos os poros
holísticos escritos.

domingo, 27 de maio de 2012

meu ouvido


Magritte -Untillied, (Shell inthe form of an ear),1956


Existem trocas realizadas numa dimensão estática que paira
e nela toda a dinâmica da reciprocidade se instaura
ainda que dissimulada, te escuto,
direto e labiríntica
e ressôo o que entendo, o que quero, 
e aguento.


Serei a oscilação entre as sendas abertas para a transversal da hora
sonhando sentada e singrando à sorte de ingratos humores igualmente oscilantes

Serei a temperatura da face da lua, levemente fria, iluminada e quente na outra extremidade carnal

Lua nova,lua que cresce, lua que quando cheia já é quase míngua
Lua que míngua, lua que cresce, lua que quando cheia já é quase nova

nociva, pêndulo e empuxo
entre a completa entrega e a entrega hesitante
sou o espaço de tempo estancado
a sereia do poço encantado
cirurgicamente eterno
circunstancialmente ao acaso
imemorial e faiscante
num dos centros energéticos
da Terra.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Água doce luminosa


 Todo alento de água doce
em poço circular
emanando das profundezas da terra
pura fonte de desejos humanos
castos, inatos, instintivos
jorrando da fenda entre a rocha e a areia
vento lunar, lírio branco
moinho de pensamento
sedimento de pedrinhas no fundo
 fresco movimento natural margeado por verde
musgo e umidade
nascente de estrelas luminosas
que dissolvidas se reintegram à essência prima
nostalgia, deja vu
todas as significâncias em ciranda
girando num cósmico céu de brilhantes
guias de orvalho e safira
na noite do vale
assistida.

Fotografias mentais


 I
Mosaico de vitrais quebrados
galeria gigante e vazia
no alto vibra a insígnia
de dor e alegria
velas circundantes
Inebriados lugares
distancias cantantes
confessionário
sepulcros gelados
como sombras de uma
benta luz.

II
O por do sol no dorso de um centauro
cavalgando a esmo numa praia dourada de aurora
e brisa morna, cruzando as araras vermelhas e toda a passarada
um véu bordado em paetês de anil me cobrindo os olhos de rena
perfume de jasmin e pétalas de rosa com alfazema

III
Dissolvendo em água caudalosa
em selva úmida e fechada
e quando o medo e a corrente
invade
e a gente
se desfaz.

sábado, 19 de maio de 2012


pequeninos portais


Queria que essas linhas
chegassem como sopro e
pontilhassem o infinito
como passarelas para imensidão

queria que seu sentido girasse
e penetrasse em espiral
a consciência absoluta
num entendimento
harmônico
universal

queria que o cosmos dissolvesse
como celulose orgânica vegetal


formas cristalinas
refletores das multicores
de sais minerais
elementais


e o além etéreo
cometa de Íris
aceso
como um signo
frontal
                                      


                    Flávia Amaro

Postagem original: http://manufatura.blogspot.com.br/2012/05/queria-que-essas-linhas-chegassem-como.html


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Arte poética

*Imagem capitada e registrada por mim em maio de 2012- Captólio-MG.


Fitar o rio feito de tempo e água
e recordar que o tempo é outro rio,
saber que nos perdemos como o rio
E que os rostos passam como a água.

Sentir que a vigília é outro sonho
que sonha não sonhar e que a morte
que teme nossa carne é essa morte
de cada noite, que se chama sonho.

No dia ou no ano perceber um símbolo
dos dias de um homem e ainda de seus anos,
transformar o ultraje desses anos
em música, em rumor e em símbolo,

na morte ver o sonho, ver no ocaso
um triste ouro, tal é a poesia,
que é imortal e pobre. A poesia 
retorna como a aurora e o ocaso.

Às vezes pelas tardes certo rosto
contempla-nos do fundo de um espelho;
a arte deve ser como esse espelho
que nos revela nosso próprio rosto.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
chorou de amor ao divisar sua Ítaca
verde e humilde. A arte é essa Ítaca
de verde eternidade, sem prodígios.

Também é como o rio interminável
que passa e fica e é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante, que é o mesmo
e é outro, como o rio interminável.



BORGES, Jorge Luis. O fazedor. Tradução de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

quinta-feira, 17 de maio de 2012



“O poder simbólico é um poder de consagração ou de revelação,
um poder de consagrar ou de revelar coisas já existentes”.
(Pierre Bourdieu, 2004: 167)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Papel e caneta


Escolher meus interlocutores e a medida da exposição
não forçar entendimento, não forjar compreensão
cada um com sua porção de realidade
e sua capacidade de condensação (julgamento)
contando que  aceitar o tempo imensurável
que tudo protela e que tudo prevê,
ainda que requeira esmera
de apática cacofonia transversa em representação
é saída complexa e digna de contemplação
fixa e aciona, aperta míopes os olhos e vê
de relance, fonema, sentido
coesão de ritmo de timo acolhido
sinestésico arrepio e meditação
trampolim pra dentro
escorregando lentamente num túnel escuro
profundo, descolado e inerte
desenrolar de línguas de trapo
torcidas e contorcidas
por seus totens- tabu
de cera e de tinta
no papel de azul
branca e rasa
sina.

terça-feira, 15 de maio de 2012



I
Antes era tudo impressão
Ilusão da palavra, provimento
Agora tudo se solidifica
ao som da palavra, pavimento
PRIMEIRA ESTAÇÃO

ii
Depois aprender a coexistir
Conviva de lua
e deslocamento

III
\à MARgem do rio que corre e corta
transversal do tempo
pensando e trançando -  longos fios
de encantamento

quinta-feira, 26 de abril de 2012




"Tudo que o coração deseja pode sempre reduzir-se à figura da água". 
Paul Claudel in BACHELARD, Gaston- "A água e os sonhos"

                                                                             

domingo, 22 de abril de 2012



Em remotas paragens de tempo-espaço
 o relógio girava harmonicamente
ainda que não cadenciasse as horas
 e ainda que não necessariamente
girasse
numa órbita reconhecível
todo entendimento era natural,
numa seqüencialidade progressivamente previsível
e cabia ao homem classificar numa regularidade assuntível
2+2= 4 segmentado e legítimo
no entanto,
tudo é relativo
como parâmetros falidos
e toda abstração possível está no cerne
de quem? 
do indivíduo, que lembra e decifra
porque é meramente parte
como o espelho quebrado que é também inteiro
sal e água, sumo e seiva
poeira cósmica imantada
vibra e brilha numa ininterrupta intensidade
de rotação e translação em torno de um centro de calor
imprevisto e regido pelo acaso conectado.


Postagem realizada primeiramente no blog Manufatura (http://manufatura.blogspot.com.br/) em 18/04/12

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Eu sou aquele que não se vê e sutilmente se toca
um repuxo, uma fincada, um cafuné, um toque estranho
uma bruma branca, uma sombra negra, um vento, um sopro, um lampejo
uma idéia veemente, um pulsar espontâneo, um alento, um lamento
um sonho revisto, um plano deposto, um presságio ilustrado
no incandescer de anjos, no esquentar das palmas das mãos
quando glóbulos borbulham gaseificados de energia elétrica ativa
rasa rara e branda de infinito, numa paralela
voando baixo
No instante que percebo e penso distâncias certeiras
movimentando-se como ponteiros de um relógio imaginário
acabo quebrando o teu galho.
                                               
                                                                                      ojo

sábado, 31 de março de 2012



Hoje já não sei de nada
e mesmo do que já soube, me esqueci
o que sinto ou intuo fui eu que escolhi?
O que me falta e de onde eu vim?
Para onde vou e o que é efêmero?
Enquanto não sei protelo
Subestimo-me
Subalterna e subjugada aprendiz
Enquanto tudo fica a beira do abismo
e basta respirar para viver
o que se busca e o que se impõe
a centelha de iluminação
e as sutilezas da revelação
corrente que verte mudança
resignação contente
não faria nada que me acusasse mal a consciência
já não consigo viver bem com meus pensamentos
se tivesse culpa e distorção seria ainda mais insuportável
Confundiram-me e me perdi
De nada tenho certeza
Só que
“nada sei.”

domingo, 18 de março de 2012

Hoje assim como todo dia 18 de cada mês, é o dia da minha publicação no blog MANUFATURA. Segue o link de acesso: http://manufatura.blogspot.com.br/onde vocês encontrarão uma postagem inédita.

quarta-feira, 14 de março de 2012

sumo da seiva

extensão do sonho em estado imantado

magia que extrapola o sono e entranha o dia

chuviscos de luz e fomento reflexivo

como se todo lapso de segundo disperso relembrasse o abismo

portal encantado por trás da cascata onírica

e quando os passarinhos sobrevoando em cortes ligeiros rasgassem o ar em zunido fino

e a queda transparente e ininterrupta levasse toda sorte de fluência para as latências do vale

que levanta sutilmente suas colinas verdes servindo de escorregador para as linfas silvestres-

seivas da terra espremida,

Por todo seu lodo, por toda sua lida!

domingo, 4 de março de 2012

ojo




Sinto-te tomar me em arrepio
Anjo- Espírito
como ondas tensionadas percorrendo
o corpo físico
e me divido
diametralmente
Mente
mecanismo
retilíneo de suspensão aerada
Flama de sopro
Vereda d’água

borbulhando da terra
de nascente estelar
ar
fogo
chão
clarão de rememorar
alhures
cadentes e cativos
humores ambíguos
sob o meio de equilíbrio
no infinito.