quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Piazza I

Uma tarde
é suficiente para ficar louco
ou ir ao Museu ver Bosch
uma tarde de inverno
sobre um grave pátio
onde garòfani milk-shake & Claude
obcecado com anjos
ou vastos motores que giram com
uma graça seráfica
tocar o banjo da Lembrança
sem o Amor encontrado provado sonhado
& longos viveiros municipais
sem procurar compreender
imaginar
a medula sem olhos
ou pássaros virgens
aconteceu que eu revi
a simples torre mortal do Sonho
não com dedos reais & cilíndricos
Du Barry Byron Marquesa de Santos
Swift Jarry com barulho
de sinos nas minhas noites de bárbaro
os carros de fogo
os trapézios de mercúrio
suas mãos escrevendo & pescando
ninfas escatológicas
pequenos canhões do sangue & os grandes olhos abertos
para algum milagre da Sorte

                                                                 Roberto Piva

No bruto estado de natureza...
Eu não seria uma flor ou uma gota de orvalho,
seria força torrente, maremoto ou redemoinho.

sábado, 8 de outubro de 2011

12 quedas


Suprimento sagrado de envergaduras
 um bambuzal no olho do furacão
greta nascente e Corguinho
seriemas, cotias e tamanduás
 formigas cortadeiras
cachoeira de ninfas enbranquecidas pela luz noturna
da lua
curipira- cabeça de fogo, a Caipora e a Matita Pereira
e por excelência o duende brasileiro: Saci Pererê
flores de pequi
prima veras e verás a intensa fúria de uma tromba d´água
Em corredeira!





COCHICHO



Escuta o meu sussurro
No meio de lajotas e retalhos.
Saio alinhavando saudades
Não sei se vira tapete ou colcha
Só sei que tia Luzia está luzindo lá
Brincando de estar viva
Trazendo antigamente em cestas de vime
Com fitas, agulhas, linhas
E promessas de gente grande
E eu, menina de olho comprido,
Peço pra ser a moça dos sonhos.

Caseio textos nas salas do mundo
Prego botões de poesias nas minhas relações
Arremato com lantejoulas coloridas de adjetivos
Cirzo com verbos os remendos de tantas histórias.
Escapo pé- ante- pé, tiro os sapatos
Enrolo-me nas fitas, agulhas e linhas
Danço no salão das horas.
Bailarina, balanço a vida
Que me fala baixinho, baixinho:
Estou gostando da trama.
Toma tesoura, mais cor, pano, linha...
                           
                                    Lourdinha Barbosa

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Minas



Araxá-MG


Alterosas curvilíneas escondem
suas minas subterrâneas
por onde a água corre
em filetes capilares
abraçando os montes
brotando de nascente cintilante
e jorrando em queda cachoeira