quarta-feira, 27 de julho de 2011

II


Estados figurativos que pairam para além da tecnologia
Baques devocionais numa perspectiva estranha
Poderes paranormais numa perspectiva hacker
x
Minha letra perdeu o tino ...

Ou ganhou outro curso com a velocidade?!
Confluência com as necessidades mundanas

 coevo que se adianta
 remoto vinculado

Gás carbono x oxigênio

Fermento do mundo de criação intrínseca
Busca no interior a conquista do instante

Golpes de vista – impedidos de alcance
ironia contínua – falta de opção
penitência de isolamento
incomunicável vazão

terça-feira, 26 de julho de 2011

Divagação sobre o amor

(Linha vital de raciocínio)

A efetivação do “amor” corresponde à articulação inextricável entre as dimensões objetiva e subjetiva concernentes à manifestação consciente do eu que se projeta e é compartilhado pelas sombras sensíveis interessadas. 

Essa expressão do “amor” implicaria três movimentos interdependentes: interiorização, exteriorização e objetivação para consolidação e fruição. Estar ativo e desperto para realmente amar é inevitavelmente admitir essa condição atrelada à esse movimento. Onde:

- interiorização: representa a interpretação imediata expandida para um fenômeno dotado de sentido (manifestação da subjetividade holística empreendida). Simula a base para a compreensão de diversas esferas imaginadas e possíveis. Mas não necessariamente representa congruência de propósitos ou sincronia de demandas. Configura um momento extremamente desejado e necessário, mais comumente protelado.

- exteriorização: manifestação intencional com vistas a um objetivo/ objeto específico de comunicação- intervenção, persuasão. 

-objetivação: realização tempo-espacial efetiva. Numa perspectiva que extrapola o efêmero e instala-se na amplitude de uma intersubjetividade relativa às seqüências de acontecimentos significantes daí decorrentes.

I


Compartilho de instâncias perecíveis e mutáveis
movimento inextricável de tessituras
traçados assimétricos e irreconhecíveis
trama de vai e vem
e envergadura

objeto imantado
sortilégio ferroso corrosivo
possibilidade de compensação
hesitação que muda seus caracteres
domesticada selvageria atávica
resignação
presente no inconsciente
ressentimento evasivo
contradição

admoestado letrado
comprometido predicado
de sublime protelar

Manifesto exaltado esclarecido,



Não vou mais perder meu tempo, não vou padecer
Seu coro é carcomido, não tem leveza de ser
Não tem traquejo, não tem traçado
que dê conta do mau grado
instaurado
no imo
cristalizado
escalibur!

domingo, 24 de julho de 2011

armadilha ciliar



Encharcada espero estar no dia em que me afogar em sua armadilha ciliar
planta carnívora sedutora à devorar-me
 (cerrados de engodo)
mosca-lesa preza na gosma insule
aprisionada em iscas de ficar
quando hipnotizadas retinas
e a boca à salivar vontades
ardentes de mordiscar
e quando a lágrima junção
de redutos escusos
em salgada sede de umedecer encantos
de atrever se ao céu de estremar
ares de motivação real
amarração de escape inevitável
arrebatamento necessário

quarta-feira, 20 de julho de 2011



Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.
Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.
Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.
Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.


Hilda Hilst

terça-feira, 19 de julho de 2011


Um romântico coração cabedor de micro-cupidos
como um pequeno enxame alado de alfinetes certeiros
esmeros atiradores de flechas à longo alcance
Abrindo vácuos pra ressonar de perto
Aturdimento!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mesocosmos das demandas


Intersecção de contentamento
Fronteira de firmamento
Nuance de verossimilhança
Holismo sensível.

Pela desconfiada acuidade

Mitoàobjetoàimagem
 /materialidade
Interlocutorà correspondênciaàimagem (mito)
/materialidade

          \/

Vias de fato!
A ordem e os fatores se interagem e intervêm remetendo ao mesmo emaranhado suicida.
                .
                .
                .
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Significância = amor+ alma+ contentamento?
Existe implicância material?
Racionalização acerca do mito/imagem!

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A intuição pode ser considerada uma forma de entendimento- aceitação sensível?
É possível uma transposição da essência em imagem?
Não seria o caso de uma projeção do mito na imagem, independente da materialidade?

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Mediação expressa por tempo indeterminado!
Manutenção de encantamento.
Eficácia simbólica.
*
(complementaridade orgânica)

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Canal do meio
Nem lá, nem cá
Nem universal, nem particular
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Contradição de reverência ao desenvolvimento tecnológico
Adoção de uma realidade expandida, para além do mimetismo convencional.

domingo, 17 de julho de 2011


“o mundo é pois representação”
articula...
o “realismo empírico associado ao idealismo transcendental”
                                                                              Schopenhauer


Materialidade histórica
Matéria palpável contraditória
Revestida por tessitura orgânica
Ou composta de organicidade
Elementos microscópicos em interação
Ciber- atualização
Sentimentos – sensações em significância
Apreensão de emoção/sentido
Imagem- mensagem pro interlocutor direto, e que os indiretos não leiam e não interpretem nada...
[Imagem metáfora da matéria]
Anódina certeza!
Nobre e útil torpor de expressar urgências
Maledicência
contornada pelo anonimato
intenso trato
 acessórios adornados de letras
pingentes, parcelas, bagatelas – fundamentais
apego rotineiro
objeto imajado- alvo de desejo
possibilidade de cristalização de vontades
e a relação entre objeto e imagem é dúbia- pautada pelo discurso disperso
expressão do objeto-  potencialização da imagem
sinergia entre pensamento e publicação
objeto e idéia- imagem
objeto-matéria participativa- rememoração
realidade objetiva- criação indutiva
lembrança de fragmento essencial
desdobramento axial

terça-feira, 12 de julho de 2011


Homens são pilares do tempo ambulantes
Carregam em seus eixos diametrais
Seu signo - seu giro

Rochas ígneas transversais em travessia
Sedimentação de eras passadas e atuais
Poeira cósmica perene pulsante

Travando no embate cotidiano seu cerco
de alcance- revanche da abstração de pensamento
momento - fragmento- nuance.

quinta-feira, 7 de julho de 2011


Em direção horizontal, num sentido que vai da esquerda para a direita se dedilham estas letras, que formando palavras se empenham em saltar da tela direto para sua jugular. Como pequeninos estilhaços que se incorporam à sua mais trivial organicidade, circulando por corrente sanguínea, bombeando os músculos cruciais.  Fruição de vontade - bicho: espreitar você dormindo manso enquanto eu assobio cânticos enternecidos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

" Mefisto: No final das contas, pode ser que não sirva mais para nada.
Eu fui construído sobre uma idéia errada [...], segundo a qual as pessoas não são malvadas o suficiente para se perderem sozinhas, com seus próprios meios." 
                                           PAUL VALÉRY, Mon Faust

CAIS


Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

Milton Nascimento

Composição: Milton Nascimento/Ronaldo Bastos