domingo, 13 de fevereiro de 2011

Formigas cortadeiras e eu


Buscando explicações capazes de renovar perspectivas e extrapolar a primeira impressão acerca da realidade dos fatos desenrolados na vida objetiva, travada cotidianamente ou em sobrevida:

 As pessoas defrontam-se com uma qualificação-instauração  da realidade de forma hipócrita? Suas visões são limitadas? A visão dos inadequados é que é atormentada? As pessoas carregam um fardo compatível ao tamanho de sua mediocridade?

Cada um com seu fardo de realidade! Cada um com a quantidade de chibatadas que seu lombo agüenta no decorrer dessa existência. É inútil querer entendimentos que não se compartilham. A visão é proporcionalmente relativa à vontade de vida sensível e sua bagagem de carga racional. Indivíduos e suas visões de mundo equivocadas, limitadas, razas, falta-lhes coragem? Falta-lhes comprometimento?
Tudo é uma grande banalização. Dia após dia em frente a televisão.
 Por detrás dessa névoa percepção, persiste uma incompreensão solitária e de difícil descrição.

Move-se sorrateiramente um espectro de novidade, o futuro se apresenta como el diablo, fantasmagórico e inevitável. São conseqüências das transmutações em atualidades não-sensíveis e quase insignificantes no ato de transmutar em algo realmente novo e infalível. Precisamos de cada sopro de novidade, para firmarmos nossa condição humana na espontaneidade. O fato de querer o lúdico e a percepção organicamente construída nos domínios da natureza, expõe uma espécie de selvageria necessária, urdida na resposta dos passos no mato, passadas rítmicas e conectivas- circulação de energia vibracional.
Me apresente uma verdade que desconheço, algo que transforme e extasie nossos destinos/sentidos. Correntezas transversas em fluxos nostálgicos de odoiá, de sereias encantadas e cantantes. Qualquer solavanco involuntário, um maremoto que seja, uma tsunami que chegue a Uberlândia, trazendo explicações inexistentes, porque o óbvio salta aos olhos inadaptados daqueles que vêem o que não querem, ou que querem e não conseguem resolver nada, ou adiantaria? Este mundo é feito de gurus e alegorias, pretensão ou iluminamento?
Nodosas raízes devem ser realmente arrancadas? Mutilação ritualística- Com uma peixeira passional? Freak-shoow no jornal nacional. Abafa o caso! Porque a vida é vantagem para quem quer se afundar em águas rasas, porém silenciosas. Aquelas do politicamente correto e acima de qualquer suspeita. Repressão- mal resolução! São no fundo uns dissimulados repreendidos, tenho muita pena dessa vida limitada. Pura escolha!
Vida-vendaval-voltas do mundo.

Eu procuro, me suspender mesmo sem ar,
mergulho na temperatura dos rios, e neste estado tudo é pertencimento, as folhas caindo, o sol rachado faíscas de maravilhamento e cegueira, completo vislumbre no natural, alienação possível escapada no nada, na imaginação e sobressalto do abismo.
Movimentos necessários e pulsantes de vida e estômago. Girando
Fome e argúcia de entendimento. Eu em mim, eu para os outros, eu e eu, o mundo e eu, os sortilégios, os elementares, as formas abstratas - eu e a abstração em significância, em trajetória errância, no dorso de um ser mitológico oriundo das profundezas abissais de um oceano movimento difuso das marés. Adelante!
Insolúvel solução, para tudo há uma razão, sofrimento é crescimento, já diria um pensamento espalhado a 4 ventos.
Por tudo que passamos a de buscar-se entendimento, quais foram os motivos, as conexões, os infortúnios fortuitos e indiscretos. Incertezas e sutilezas - suor da seiva do mundo! Úmido fundo de imaginações que se sobrepõe à realidade, como uma outra dimensão, corredor de portinholas, àquela dos poetas que se comunicam por línguas incertas e inesquecíveis.

Fico na inércia para alguns assuntos de prática de vida corrompida. Corrompendo, sociedade capitalista. Corromper-me até quando? Continuar me enquadrando? Vivendo no caos urbano?
razão, pensamento, iniciativa, emoção, firmamento, intuição, labor, loucura- chega-se lá!
...
(Individuo)
até onde não se percebe as intenções ocultas e dissimuladas do ser humano, desgosto quando expectativa, interesse, meu  tormento, vida, existência, histórias, pulsações, inclinações e relevâncias para além da composição da máscara despudorada, da fantasia montada.
Não é fácil despir-se.
De fantasias já temos a rua e a noite.
O domínio do íntimo é o das feras selvagens- animais acostumados em correr soltos na noite dos caminhos, matas, veredas e chapadões, a acolher-se nas grutas enfumaçadas nas noites de verão chuvoso, e a dormir no relento sob a luz da lua na seca estação de outono no cerrado. Calor dos trópicos.

E eu quero a nudez do mundo, a cumplicidade de almas e olhares ainda inexistentes, esquivos e chorosos.
Gosto de olhos emocionados de  bem querer, de quem sente o mundo, tocar nos cílios molhados, vibrar o som no espaço e no ritmo. Mas o silêncio é o melhor livramento!
 Confesso, entrei como em outra áurea azul, uma dimensão distante, não vi exatamente ninguém, estava pisando em águas primitivas, todo aquele revolto processo de descobrimento do incerto, do trivial, daquilo que está aqui dentro. Permaneci por longos instantes com as vistas cerradas para a exterioridade, prestava atenção no imerso profundo, estava lá afinal para isso. Abri os olhos e senti toda a pulsação necessária para identificar um dia e um acontecimento vago- incerto, e inclusive toda uma simbologia de impedimento.
Fico tranqüila, palavras e pensamentos- nesse momento navego absorta em águas turvas, desconhecidas e inseguras, nessa pequena jangada só cabe o peso da minha existência rompida e da minha busca, a névoa estratosfera das minhas perguntas, acompanhantes a ermo, as longas jornadas para dentro de mim e do mundo.
Vejo a projeção de uma ilha e eu quase lá com minha jangadinha amarrada nas costas, tenho os braços e as pernas sãs, que se por ventura não forem lambiscadas de uma só vez por tubarões famigerados, chegarão em perfeito tensionamento-  torque impulsivo para frente e adiante. Me sinto, banhada por águas gélidas e imprevistas, nua ilha deserta de interior matagal, complexo processo de arriscar e adentrar.
Busco nas letras exorcizar um pouco de quase nada que possa ser dividido, tudo fica á beira do segundo e me serve apenas como um roteiro indicativo de pensamentos, que são registrados à mercê de seu enredamento e intensidade.
Vivo a buscar o sensível orgânico que me alimenta holisticamente de preenchimento dos poros que se envolvem simultaneamente/ completamente nas tormentas de minha identidade (renovando-se em morte e vida/ caos e/ou silêncio- tudo suspenso)- algo se transformou em todo o enquadramento geral que não será por aqui mencionado, pelo menos não tão displicentemente assim... mas que foi capaz de bruscas rupturas desoladoras e fortalecedoras.

Só o tempo será capaz de dizer se a inércia é temporária, ou se novos horizontes atrelam marés estrelares- incontidas de deslocamentos..esse mundo é tão grande, existem tantas possibilidades. Será que vale a pena levar apenas aquela que convém? Admiro os entusiastas aventureiros, queria morar em novas condições, ter outro cotidiano de me aventurar nas matas, mas nem sempre faço como a gosto, queria mesmo era dormir ao  orvalho na relva e sonhar com formigas cortadeiras que me carregassem, recortassem toda a pele do corpo e me despissem dessa carapaça adiposa, às vezes sou tão ribeira, que não me reconheço numa ocidental semi sedentária, nossas bolhas de aço. Essas formigas fariam um mosaico construto geométrico com unhas e cabelos e como uma lenda indígena me transformaria em árvore milenar. Estática e irredutível, meditando pelas gerações. Aguentando a dureza do mundo.








2 comentários:

  1. gostei muito disso. tudo aqui no seu blog é bem bacana, desafiador: questiona o habitual mas num tom consistente e harmonioso (barroco, acho, mas um pouco mais sóbrio?). esta peça em especial, deu-me um conforto, como se me abrangesse e me elucidasse sob a luz do dia.

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  2. Olá François, obrigada pelas palavras. abraços

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