sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


“Não quero a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.”
                                                         Clarice Lispector

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

1989 e a abertura para o entendimento do mundo

Pode parecer ingênuo pensar desta maneira, mas acho incrível como acontecimentos de âmbito mundial reportados pela mídia podem atingir nossa percepção sensível repercurtindo em nossos interesses cognitivos por toda uma vida.


A forma como incorporamos tais informações atingem e afetam nossa percepção diretamente e nesse sentido, diferentes dimensões subjetivas e objetivas se articulam refletindo num fluxo e refluxo de sensações, apropriações, representações e comportamentos frente à esse entendimento, à essa assimilação.
Essas percepções corroboram para a construção do nosso entendimento do mundo. 
Lembro-me, por exemplo, de alguns fatos marcantes da história mundial reportados pela mídia nos idos de 1989, quando eu me encontrava com apenas cinco anos de idade. Foram respectivamente “A queda do Muro de Berlim” e o fato de eu ter assistido na época um documentário sobre “o desastre de Chernobyl”, ocorrido em abril de 1986. Eles sem dúvida constituíram um salto de consciência na minha infância, foi como uma espécie de marco de abertura para o entendimento do mundo, e esse mundo já me pareceu logo de início, um tanto quanto caótico. 
Lembro-me que ficava tentando imaginar como um muro poderia ser tão forte e robusto a ponto de dividir uma cidade, não conseguia imaginar como as pessoas poderiam ser displicentemente privadas de seus direitos de ir e vir. Imaginava crianças trocando cartas e brinquedos atirados por sob o muro. Atormentava os adultos para que me explicassem o porquê daquilo tudo, mas sempre em vão, pois geralmente as explicações destinadas à crianças são frequentemente vagas e alusivas. 
Ao passo que eu já percebia a importância da destruição de um ícone de repressão e manipulação política da vida humana no interior das organizações sociais e políticas, me preocupava também com as questões de ordem emocional as quais essas pessoas estavam submetidas.
Já com relação ao acidente de Chernobyl, me deparava com a arbitrariedade do conhecimento técnico científico aplicado às esferas da vida social compartilhadas.O acidente demonstrou claramente o quão contraditório e arriscado é depositar nossa confiança nas instituições vigentes da modernidade.
 Incorporei atentamente essas informações na época, e o que mais chocou a minha percepção infantil,  foram as mortes e principalmente o fato de que as pessoas que conseguiram fugir, sobreviver, tiveram que  abandonar as suas casas, suas vidas em seus locais de origem, ficaram sem seus pertences simbolicamente afetivos. 
E as bonecas da garota? E as fotos de sua vovozinha? E a caixinha de música com a bailarina? E o cachorrinho que ficou preso no canil?
O reflexo daquela angústia extrema sentida lá no passado, na minha  mais tenra infância, de certa forma ecoa até hoje nesses escritos e nas minhas motivações pessoais em tentar entender esse mundo e as apropriações dele por parte das pessoas e instituições.



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011




Bom conselho

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Chico Buarque
Não me digas mais nada. O resto é vida.

Sob onde a uva está amadurecida

moram os meus sonos, que não querem nada.

Que é o mundo? Uma ilusão vista e sentida.



Sob os ramos que falam com o vento,

inerte, abdico do meu pensamento.

Tenho esta hora e o ócio que está nela.

Levem o mundo: deixem-me o momento! (...)



Não digas nada que tu creias. Fala

como a cigarra canta. Nada iguala

o ser um som pequeno entre os rumores

com que este mundo...



A vida é terra e o vivê-la é lodo.

Tudo é maneira, diferença ou modo.

Em tudo quanto faças sê só tu,

em tudo quanto faças sê tu todo.




Fernando Pessoa





"Antes ser cabeça de largatixa do que rabo de leão."

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


Quero a sutileza das letras indiretas
a profundidade rasa e imediata da carne
a poesia de versos sem nexo
o etéreo movimento






quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Início de ano

Nenhuma iluminação profana
liturgia ritualística holística

Diálogos desconexos travam suas similitudes

buscando o iluminamento

de luzes incandescentes
de folguedos espontâneos
de labaredas em chama

no silêncio das línguas entrecruzadas
 cangote e colherzinha

Ritmo lento, porém certeiro
devagar se vai ao longe...
necessidade de contentamento!

fogo de palha?
Já ardeu!

fogueirinha?
É possível, basta alimentar a brasa.


(na imagem um homem caminha sob a chama)



sábado, 8 de janeiro de 2011

Anômala

No espelho que não me reconheço manifesta-se meu martírio

Martírio melindroso de quem tem os sentimentos à flor da pele

Câncer de canceriana é a hostilidade alheia!



Estranha no ninho

Que ninho covil!

Frustração projetada na cria que te pariu.


A carga é pesada,

Pesada demais para alguém com a alma leve

Me leve daqui!



Pedra Branca-MG

O trajeto:











(Primeiro platô)







Os bichos:















Biodiversidade:


                                   













Nascente:



Fotos de Neander Heringer
http://cabrafemea.wordpress.com/author/neanderheringer/