sábado, 31 de dezembro de 2011


Quando você finalmente sai de sua zona de conforto e propositalmente se coloca em situações que desafiam essa circunstância, surpresas incríveis podem acontecer. 
E nesse sentido cada vez mais me convenço que rótulos identitários e tipificações são artifícios fracos para se conhecer alguém. 
Sem dúvida as aparências enganam, é preciso desmistificar pré-noções e se permitir. 
E que venham as contradições, porque a vida é descoberta!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Agora entendo,
                               ou quase nada...
roldanas que sustentavam e dirigiam por extensão de pensamento forte
(Hipnose/ abdução)
.
.
.
Seu nome se destacando do infinito complementar
em movimento circular
                                           em  linha que não se desfaz

desenhando espirais abissais
em noite de estrelas aladas
e círculo celeste de fogo
queimando seu ciúme, seu receio, seu orgulho.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011



Sombra de avenca em fresca tarde de varanda
precipitação de galhos de árvores ancestrais
cujas raízes arraigadas extrapolavam os limites do perceptível
por dentro da terra- capilaridades energéticas
abertura de portais policromo.





Um espelho –reflexos de firmamento
E como é bom caminhar nas nuvens
depois de uma tarde de chuva com sol

terça-feira, 27 de dezembro de 2011


Criolo comentando suas percepções acerca do risco alimentar e da perda das fontes originais de referência:


"Cream cheese? No temaki?
Vamos fazer essa analogia bobinha. Meteram cream cheese no temaki, sabe o que isso significa? Que toda arte milenar que envolve esse prato, toda a cultura, a história dessas pessoas... não importa. Porque o que interessa é vender. Não tá ligado na tradição, na origem das coisas, não gostou do sabor? Mete cream cheese no bagulho. E assim vai indo tudo. E a gente consome. Esse é o risco quando massificam qualquer coisa. Quando essa informação da origem, da verdade das coisas não chega, em vez de bater em quem não recebeu a informação e consome, tem que questionar quem não deixou essa informação chegar."


Criolo em entrevista para a revista Trip 
Link:http://revistatrip.uol.com.br/revista/203/paginas-negras/criolo.html

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Permitir


A música suave
da percepção sutil
penetrar e despertar 
encantamentos 
elaborados por 
encomenda astral
sua prenda de elevação
e a abertura à iniciação
sublime do pertencer esperado
e quando toda subjetividade é validada
enfrenta-se a si mesmo como quem corre sozinho
contra o tempo imensurável
e se abriga na selva escura
num lugar de estar
para merecer
 fonte de animação
 motor impulsivo pro além brilhante
de sugestão significativa

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


Tudo é tanto e tão pouco no trivial apelo postergado
falta tempo
sentido
de entrega

 e quando todo umbigo agoniza
na montanha russa invertida
seu nome é empenho
e orgulho
embargado

no fácil enlevo
me atrevo suave
e me deixo levar
para além de todas
as limitações materiais
..........
Tudo, absolutamente tudo pode e deve cair por terra mais cedo ou mais tarde. Vivemos da incompreensão e só ela é combustível para qualquer iluminamento.
Desde Sócrates
 E quando pacóvias observações são sua salvação.
Aí, daquele que conhece, pois reconhece um ensejo subjacente à uma espécie de compromisso.
Quanto mais se sabe, mais comprometido e quão mais ignorante, mais propenso a desfrutar da frugalidade virtual denominada por alguns de felicidade.
Pensar numa eterna batalha, de quem contra quem especificamente? O universo não é tão dual- maniqueísta, assim.  São tantas confluências num jaez de incerteza edificante.
Penso na confraria do segundo andar fronte ao matagal e ao rio turvo cuja plataforma flutuante se torna o charme do inferninho.
Como quem evita o desfalecimento e se entrega à certeza de um preterir.


Durante milênios os homens estudaram as interferências dos astros em seu cotidiano, fixando a partir de seus desdobramentos cinéticos significações relevantes como o calendário sagrado e profano.
Para além da esfera rotatória, na qual estamos aparentemente associados, existem outras energias condensadas em movimento e interação- estrelas, satélites. Além dos buracos negros, cuja animação imprevista pode atuar através da sucção e transportar através de portais escuros para outros tempos e espaços do cosmos infinito.
.........................
E quando a percepção vacila,
(são no mínimo quatro dimensões em interação direta)
Há de se ter compreensão, paciência e resignação.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Para além da experiência

Alto lá! Reconheço mentes resignadas, firmes num propósito investigativo em vias de efetivação de novas formas de comunicação estendida.

E quando os poetas se atrevem a se deixar levar pela imaginação e são contemplados com o inesperado reminiscente a um universal mecanismo de interação ampliada em cosmos integrado- participativo.  A sensibilidade intuída/induzida se torna fluida.

Tratam-se de mentes fortes, que apesar da evidente capacidade de vaguear procurando refúgios seja em becos mundanos citadinos, seja em extensões de natureza ampla e selvagem, permanecem com um pé aqui e outro lá.
Projetam- postulam e postergam.

Considero todos os processos, os rompantes, o afinamento das capacidades intuitivas em processo de reconhecimento.

Nenhuma experiência pode ser considerada desnecessária, do mais ínfimo gesto cotidiano há de se recuperar evidências perdidas.
E que venha o transcorrer do dia frente às interações flexíveis
                                                                     ..........................

I

Quando seu nome é proferido no interno juízo que tudo reprime
quase posso sentir seus molares cravados na minha jugular
ímã de magnetismo além de outros minerais
comendo poeira na bifurcação de possibilidades duais:
entre o SIM e o NÃO
A cruz e o transverso
poente de asfalto e rosa esfera crescente
direções centrais
anelares como pulmões em demanda de ar
Movidos por toda incompreensão
Salvos por toda sorte de hesitação
Arrego no inconformismo generalizado
na falta de toque e traquejo
no meu destemperamento e virtualidade honrosa
abaixo os hipócritas até que minha alma arda sozinha
se todos fossem estacas não seríamos imóveis
não existem raízes e ruínas são vagas.
Alegorias são paragens
absortas.
             .
             .

terça-feira, 20 de dezembro de 2011


I
Suave centelha
rasga e resgata
céu de anis estrelado

II
sereno
e segredo suspenso
no salgado
silente
(minas de lágrimas)

III
entre o musgo e a rocha
ruínas circulares
Gárgulas, castiçais, guindastes
Garrafas e mapas
Manuscritos à pena da caneta
Oriente
rumo de navegação!

IV
Embarca inocente
Desvia da rota
Quando no trivial da rotina
Desbota.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

estratosfera


texturas sensíveis em doce dilúvio
sal de água do mar
delírio de cachoeira
ninfa de aguaceira
lírio de rio
sol em flâmulas
teias de aranhas
atrás dos montes vermelhos
prismas e pranas
convivas ambíguos
cratera chamando em assovios
todos os giros
da intuição aos fenômenos
ferrugem, barro cru, vinho tinto ou vaga-lume
alimento de abismo
pelas entranhas
imantadas
da Terra à estratosfera.




Trem limítrofe
divisa sublime
diferenciar
Os campos do sonho
das trilhas subjetivas
submersas em terrenos alagadiços

sábado, 3 de dezembro de 2011


"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante."

Nietzsche, em Assim falou Zaratustra

A bailarina  da caixinha de música
girava no centro de um vinil negro como a noite
riscado à diamante de minas sucumbidas
pela carestia contornada
dentro da pirâmide 3D
Pink Floyd ancestral
oscilando em interferências sonoras
e vagando a esmo como num tapete -disco-rígido- voador
esvoaçava véus de odalisca milenar

silver
silvestre

uma tarde na taverna junto aos bêbados
e seu espírito se dissipou aos 21
foi levado em cortejo poético
por anjos tortos

Um dia...
tomada, emitia palavras
como alfinetadas para o nada
absoluto na mente deslumbrada e quando se acorda cedo
estrelas cintilantes de adorno nos olhos blind estão fincadas

e   de pois

rir de tudo isso como quem
assiste a um felino brincar
enrolando-se num novelo de
microcapilaridades sensíveis

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Assumi na estanca
algibeira
de pó e pedra
estaqueira
(Clavícula)

Tônus
de ribanceira
cascalho

aprumando
estaca de cedro

entalhada
no suspiro
singelo
da sustentação

em suspensão

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pandemônio


Em meio a essa multidão cacofônica 

perambulava atônita
absorta
avançando  omoplatas
hostis
armadura incômoda
...

deCAN'TAÇÃO

necessária
sublime perenal da essência
arraigada
em abstração ativa
interpretação cognitiva
...leitura, contexto, iniciativa...
cristalização em prisma

ampliada

no desprendimento
volátil d’ alma.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

quebras-retilíneas

Você observa nuances
e todo diálogo desperta
sugestão  e prece

recorta e provém
fontes suscetíveis
hediondas
reverberando num cosmo absoluto

lúcidos resgates e atentados
contra a integridade
defesa
de ambas as partes

Longevos antepastos
tempos marcados por fluxos ininterruptos
consciência, ausência e tédio
toda emoção que carrego
à  miméticos segundos

E como se é vasto do osso ao pó
e pertencimento
sentença presa entre os dentes
translação em utopia
lince e metáfora
anomia

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Em primaveras passantes
bosques e entranhas
flamenca Gitana
cristal
Rainha de paus
Valete de espada
Labirintos
Árvores de jabuticaba
Olhos de boi

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Hoje é um dia de agônia....


 A burocracia paranoica
   (prazos e protocolos)
                                     
                                        e

                                                          a informação seletiva

em abstração eletiva
                                    
certificados, documentos e convenções
                                                     e quando a incorporação é que importa

só se tem
fragmento de memórias que convém

organização seletiva
(me fez guardar os diários desde de menina, fotos, recortes, bilhetes, cartas, memórias afetivas e os formalismos inconvenientes incômodos protelados com desdém)

Acadêmia

vaidades de falas competitivas
não importa aprofundar no assunto e sim demonstrar a oratória
concordar com fulano-jamais! Isso por mais que coerente intimida

                                           seletivos
                                                            processos
perdidos
antes de começar

demagogia falida
                                  à favor da trivialidade da vida
                                  e do diálogo com os mortos
............................................................................................................................

Há a linha de frente/ artilharia (boi de piranha- idealista)- bem como há a retaguarda/ contrapartida
Existe o palco e a coxia
A imagem e o bastidor

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Piazza I

Uma tarde
é suficiente para ficar louco
ou ir ao Museu ver Bosch
uma tarde de inverno
sobre um grave pátio
onde garòfani milk-shake & Claude
obcecado com anjos
ou vastos motores que giram com
uma graça seráfica
tocar o banjo da Lembrança
sem o Amor encontrado provado sonhado
& longos viveiros municipais
sem procurar compreender
imaginar
a medula sem olhos
ou pássaros virgens
aconteceu que eu revi
a simples torre mortal do Sonho
não com dedos reais & cilíndricos
Du Barry Byron Marquesa de Santos
Swift Jarry com barulho
de sinos nas minhas noites de bárbaro
os carros de fogo
os trapézios de mercúrio
suas mãos escrevendo & pescando
ninfas escatológicas
pequenos canhões do sangue & os grandes olhos abertos
para algum milagre da Sorte

                                                                 Roberto Piva

No bruto estado de natureza...
Eu não seria uma flor ou uma gota de orvalho,
seria força torrente, maremoto ou redemoinho.

sábado, 8 de outubro de 2011

12 quedas


Suprimento sagrado de envergaduras
 um bambuzal no olho do furacão
greta nascente e Corguinho
seriemas, cotias e tamanduás
 formigas cortadeiras
cachoeira de ninfas enbranquecidas pela luz noturna
da lua
curipira- cabeça de fogo, a Caipora e a Matita Pereira
e por excelência o duende brasileiro: Saci Pererê
flores de pequi
prima veras e verás a intensa fúria de uma tromba d´água
Em corredeira!





COCHICHO



Escuta o meu sussurro
No meio de lajotas e retalhos.
Saio alinhavando saudades
Não sei se vira tapete ou colcha
Só sei que tia Luzia está luzindo lá
Brincando de estar viva
Trazendo antigamente em cestas de vime
Com fitas, agulhas, linhas
E promessas de gente grande
E eu, menina de olho comprido,
Peço pra ser a moça dos sonhos.

Caseio textos nas salas do mundo
Prego botões de poesias nas minhas relações
Arremato com lantejoulas coloridas de adjetivos
Cirzo com verbos os remendos de tantas histórias.
Escapo pé- ante- pé, tiro os sapatos
Enrolo-me nas fitas, agulhas e linhas
Danço no salão das horas.
Bailarina, balanço a vida
Que me fala baixinho, baixinho:
Estou gostando da trama.
Toma tesoura, mais cor, pano, linha...
                           
                                    Lourdinha Barbosa

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Minas



Araxá-MG


Alterosas curvilíneas escondem
suas minas subterrâneas
por onde a água corre
em filetes capilares
abraçando os montes
brotando de nascente cintilante
e jorrando em queda cachoeira





sexta-feira, 30 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011


Letra
que pende-pesa
(des) prende
 és
corre
solta
salta
surta
despretensiosa


                       Flávia Amaro

"Não há força no mundo exceto o amor"


"O amor não é, ao lado da arte, a única licença para superar as condições humanas, para ser maior, mais generoso, mais infeliz, se necessário, do que o homem comum? Que sejamos heroicamente-não renunciemos a nenhuma das vantagens que nosso estado animado nos concede."
 x
"Pois o amor é o verdadeiro clima do destino; por mais longe que ele estenda seu caminho através do céu, sua Via Láctea composta por milhões de estrelas de sangue, a terra sob esse céu jaz grávida de desastres. Nem mesmo os deuses, nas metamorfoses de sua paixão, foram poderosos o bastante para libertar, dos enredamentos desse solo fértil, os amados, assustados e fugidios desta Terra."
" Duas pessoas com o mesmo grau de quietude não precisam falar da melodia que define suas horas. Essa melodia é o que elas tem de comum em e por si. Existe entre elas algo como um altar ardente, e elas se aproximam da chama sagrada respeitosamente com suas raras sílabas."

 Rilke 
anke merzbach 7

"Nada nos dá mais felicidade do que poder voltar a de fato fazer uso de nós mesmos, seja a serviço de planos ou de lembranças; e o mais belo é o momento em que ambos atuam em uníssono e produzam desejo e liberdade de continuar um no outro." (p.153)
Rainer Maria Rilke
"Cartas de um jovem poeta sobre a vida"
Editora: Martins Fontes

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Letra à litro


Luminárias de pétalas claras
cascata
anjos acesos e multicoloridos
fluidos
labirinto de copas rosas
fragatas
caleidoscópio
brilho


         The Territory Le Terrhoire, 1957- Magritte


"Cada experiência tem uma velocidade especial segundo a qual ela deve ser vivida, para que seja nova, profunda e frutífera; e a sabedoria consiste em encontrar essa velocidade para cada caso individual. "

"Os desejos são as lembranças vindas de nosso futuro!"



                                                                                   Rainer Maria Rilke
                                                                                            "Cartas do poeta sobre a vida"

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

pictórico.


A barcaça encostada à beira de um barranco em igarapé
Bendito instrumento de transmissão capilar
Samambaias e avencas
Mergulho em fria corrente
 de peixe passional
em encosta de coral
cachoeira de queda
em vértice
portal

(cavalo marinho - rosa presa)

atoleiro
trilha seca
raio de sol
cegueira de prisma rosa
lápide lapso lapis lazulli

Paiol
Pedra pilar
Campos de azeite
Ametistas e ônix
Pelas copas invertidas
Pendentes de lira
Paus, espada e
Ouros

Martelos de mártires
Mar morno de
merecimento

Cacos de espelho
fios de ovos
Ínfimo segundo
Do Instante fatídico
À carne crua
destilada
no mútuo reconhecimento
(protelar...)

Via láctea de cintilante artifício
Vãos de veludo azul
Danúbio -Cocoon de sauna turca
tulipas doidivanas
Cleópatra petrificada
 arame fardado carpido

zangando perdida

(Pena branca caída é sinal de quem quer (v) voar)
.
...Voa vendaval no varal
folhas secas da estação de outuno

Atlântida submersa
pelas tranças do profeta
por tantas pétalas partidas
alambrados que cercam poças de lama
Cais morfológico
ou
pátio adornado
nas altas ventanas
sótãos e
pombais

Arrozais alagadiços em quadros hirtos


Arvorando













* Flávia Amaro em recantos próximos
Imagens captadas por Thomás Mota



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Jardim onírico


Tem quimeras em meu jardim
contas de lágrimas em florescência
lírios delirantes em copos de leite nos igarapés
vitórias régias do meu bem querer ruborizado
bolhas de sabão contendo plasmas de intuição
 e compaixão de brandos pranas  de sândalo
brancos estandartes encravados em terra nostálgica
fontes em tranças de fitas adornadas nas franjas da percepção
perdição de espaço sideral- travessia anedótica
quiasma que espanta e prevê
asas de envergadura, vôo raso detalhado
pela minúcia e argúcia localizada
abnegação de instinto bicho
olhos de águia na madrugada
linha do tempo antes do instante
tempero de enlevos restantes
intensidade medida pela  palavra
o excessivo, descoberto, fluindo desgovernado
desamparo de pálpebras invertidas e cílios cerrados por raízes aéreas
letras cristalizadas como favas de mel hidropônico cultivado no mais comedido trato
correnteza de suntuosidade reluzente de subir a corrente de prata umbilical
laços de jasmim e fantasias luminosas
no coração de uma bananeira


Desvio de diedros


te conhecer por arestas de tinta
 de investida
virtual


trazer-te tal como projeção
em cavernas de pedra
e diedros

simultânea função
retilínea

ferroada de arpão
nas sereias e nos krakens abissais

alçais às ínfimas deduções

dos
pontos cegos
dos
pingos secos
nas
restingas úmidas
.
perfilhadas
por preteridas retinas
de conveniência

Baliza de transgressão

no buraco simulacro...


A casa habitada por ratos
treme e tem vida própria
Som de madeira dilatada
Destilados humores faciais
Falcatrua falida fugidia
Membrana de prisma
Medusas no quintal de mamoeiros
A Deusa morta e enterrada viva
no monte de britas
deglutindo fritas de fast-food
como Mao Tse- tung
intacto cristal
em seu  mausoléu
 não pode ser foto(grafado)
num piscar de olhos de retrato
burcas de camuflagem
heterônimos hediondos hedonistas
holocausto na sua esquina
barbeiro canta Fígaro
or Orange clockwork
com folhas de parreiras
e dropes de hortelã
absinto muito por isso
no último telefonema pra marte
os marcianos se mostraram simpáticos
dizendo: te inspiro  abduzido
abrasiva brasa mora,
melindre quisto



Titerismo

Despertara abrupta
como num salto no instante fugidio
corria, corria e não saia do lugar (imagem entre o sono e o sonho)
o segundo
a preponderância
a ânsia salutar

dos bancos e palanques universitários
aos porcos e os abatedouros
as perolas atiradas displicentemente
as flores já quase murchas
as ilhas

janelas e identidades trincadas
trincheiras de afirmação
translação- turbulência
transferências

Pavilhão vago
povoado apenas por sombras
eram galerias vazias
com vernissages fantasma

Pandemônio
Palavrório
              Panis
                        at
                               Circense

A lona armada
os amendoins
arlequins alegóricos
máscaras atemorizadas

Torniquete de alçapão
roldana de sustentação

Títeres de tecituras
tramas
novelhos- novilhos
(Carne de vitela)

Moinhos
Valetes de paus
flautas medievais
sacrifício na praça central
em meio a multidão catártica 
Dizendo: degola!

_Pelas barbas de Ozama!
Cortejos de Harley- Davidson´s seguem
De Jimi Hendrix à Nirvana
E A RODA DO SOFRIMENTO
Da qual não se escapa e pode-se voltar uma vespa?!


domingo, 18 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

maldita


Tinha o traquejo das mulheres mal faladas,
das negras abusadas,
das índias corrompidas,
das meretrizes de beira de estrada,
das púberes perdidas

Carregava a lembrança das avós moribundas,
das mães ressentidas
das netas larapias,
das filhas ingratas,
das sogras malditas,
das cunhadas safadas,
das madrastas incautas


* Poema em processo de construção.


SEIVA DE SAL DA TERRA
GRÃOS DE SOL
GIRA SÓ

Altar pudico de forjada perdição
Ou a sacralização do profano -alheio adverso (crente inerte-inserido)
Materializações de intervenções doloridas à carne viva
tambor de exaltação-pele esticada/ mesa de sacrifício
consumação da membrana amorfa translúcida,
(Ectoplasma ocular- ameba animada) por meio de fórceps invasivo
material cirúrgico de exploração craniana
sondas e fios elétricos inseridos na cavidade nasal
mordaça
amarração nervosa
cauterização- sem anestesia
excedente que espira
de veias e variações nevrálgicas
vísceras
corte de lâmina fria
(branco etéreo)
papel rasgando, abrindo fissuras 
alegorias intumescidas- febre/letra
letargia

terça-feira, 6 de setembro de 2011


Abrem-se as portas do submundo à visitação.
Lá se encontra de tudo
esteira de lixão e relíquias perdidas
o senso de direção, a intenção, o escárnio
Do POÇO do I CHING ao muro Chinês
 leopardos enfastiados e/ou esmorecidos
 depois de estapeados desde longa data
 bacanais hereges, liturgia de secularização explícita
pitorescas sangrias etéreas- informes de outrem
fonte da juventude e dos desejos

estrelas de esporas cravejadas
num  flanco retorcido
trotar contido
[diamante incrustado]
 dorso latente ao incômodo das pontiagudas diminutas
estreitezas de
lágrimas cristalizadas
gotas plácidas
em adornos rituais
relinche selvagem
 crinas penteadas
tilintar do prado amarelo seco
orgânico
*Havana D’alva*


domingo, 4 de setembro de 2011

margaridas envergadas


Jaz silente na compulsão da mente que se apreça mais que outras ordens
simultâneos domínios protelados na supremacia do imaginário construtor
organicidades acesas ou adormecidas
nada ao fracasso dos dias
pretensão de existir
apenas pelo fato em si

Ah! Ofegante ser vivente – que se preenche de ar nas narinas como em brisa suave ou fumaça pesada de caminhão e fábricas. O horizonte à frente é escolha, enjaulado ou em perder de vista. Perspectiva turva demanda instinto de sobrevivência e imaginação.
Alienadas tomadas de decisão, pois não se move nada, tudo é reprodução em alguma escala
sempre existiram os donos do discurso e sempre existirá a massa de manobra

Caos seco de envergadura
mundanas trivialidades jogadas nas costas
numa atitude de resolver e relacionar
aprisionamento  postergado ?
margaridas amarelas e girassóis

...
..
.
gato milimétrico melindroso
metrificado no espaço intrépido
do segundo vilipendiado fragmento
ferino de tramas e novelos
letreiro de enredo certeiro
.
..
...

garganta.


Nó na garganta
desce seco
embarga
engasga
pedágio
trôpego
trânsito
de enlevos
transformados
no fio da navalha
tênue engodo
passarela transversal incauta
em redemoinho alucinógeno
gato xadrez de sobressalto dá um pulo assustado
argonauta estendido plasticamente à marés 
retumbado e contorcido à dois drinques e seus gelos trepidantes
trincados dentes de tranca e olhos de tentos da sorte (atentos intentos)
lâmpadas amarelecidas, fumaça opaca afiada enrolando
falta de oxigênio, graçapé no aquário, dourado-claro caramujo
esconderijo em espiral, reduto universal das voltas e reviravoltas
overmundo.




sábado, 3 de setembro de 2011

R.E.M


Deviantart- by ~MagicianCelemis
alçapão de joguete

armadilha de presa

que engole

em movimento passivo

oscilante dos mares e marés

vendaval em vaga marinha

algas dançantes em ondulações intermináveis

vertigem de profundezas abissais

buraco negro

desfiladeiro para o além imaginário

conteúdo

e pertencimento em viagem astral solta

órbitas oblíquas exorbitantes

pêia peristáltica intestinal

vilas e casebres dispostos em espiral ladeira abaixo

alpendres e varais com renda clara

tomates nas caixas em frutarias

exatidão de passadas rítmicas em disparada

trotar de cavalos loucos- selvagens em chapadão

crinas e cravos fincados num coração de porco degolado

feitiçaria de todas as ordens, sortimento de relíquias imprevistas
                                                                                              



infância no umuarama

Deviantart- by ~AndreeaGruioniu


A bicicleta tracejando a chuva que rajava barro na camiseta 
O cheiro úmido da coragem
os espelhos d' água
das margens à natureza
cross nas matas circulares
os morros lamaçais selvagens
cupins e joelhos ralados
pensamentos de velocidade
vento na cara, suor e margaridas




prisma de ônix


 pétalas entalhadas em ônix
incrustada gutura
reluzindo em rimel
e negrume

 lágrimas borradas em ciliar escape
vazão de xorume orgânico
pontos cegos

---pontilhão de amálgama
tracejado de exaltação imprevista

 contrição de compulsão
coerção de esvaziamento

firmamento caído
 ilusionismo
fragmentado
Penas pardas
Anú
Inalterabilidade ordinária

O nada e as velhas estradas
Ruínas de recontar histórias
Pistas de signos em significância

corredeira


Deviantart- by *matthewpoland



Me precipito
Padedê prematuro avançando em movimentos rítmicos
bailado de meio giro, volta e meia- sentinela de vertigem
corredeira  descontrolada
orientação de estrela d´alva
 corrente fria
queda  d´água

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cartas do poeta sobre a vida- Rainer Maria Rilke


Já há algum tempo tenho tomado por esse livro um apreço de contentamento, envolto em ares de motivação-inspiração num sentido oracular, talvez inclusive o situe  entre os favoritos deste ano. Por isso o ensejo de compartilhar algumas das citações de Rilke extraídas de cartas endereçadas geralmente à seus leitores.
Seguem algumas:

" É imprescindível uma única tarefa, urgente: unir-se em algum lugar à natureza, ao forte, ao ávido, ao iluminado, com prontidão incondicional e, num espírito inocente, trabalhar avante, seja no mais banal, no mais cotidiano. Cada vez que considerarmos algo com garra, com alegria, cada vez que olhamos para distâncias ainda mais inauguradas, transformamos não só esse momento e o seguinte, mas também o passado em nós, o tecemos em nossa existência, dissolvemos o corpo estranho da dor, cuja composição exata não conhecemos. Assim como não sabemos quanta pulsão de vida esse corpo estranho, uma vez dissolvido, transmite a nosso sangue." (p.61)

" É necessário viver a vida ao limite, não segundo os dias, mas segundo a profundidade. Não é preciso fazer o que vem depois, se alguém sente que tem mais participação no que vem ainda depois, no longuínquo, na mais remota distância. Pode-se sonhar enquanto outros salvam, se esses sonhos são mais reais para alguém do que a realidade e mais necessário que o pão. Numa palavra: é preciso tornar a mais extrema possibilidade que alguém traz em si o critério de sua vida, pois nossa vida é grande e acomoda tanto futuro quanto somos capazes de carregar." (p.67)

"No fundo, não creio que importa ser feliz no sentido em que as pessoas esperam ser felizes. Mas consigo entender plenamente essa felicidade árdua que consiste em despertamos forças com um trabalho resoluto, as quais começam a trabalhar, elas mesmas em nós". (p.76)

domingo, 21 de agosto de 2011

3


campo semeado
cânfora de azeite e cicuta
hámulo eriçado quando em abatedouro
sacrifício de palpitação e tempero
enlevos- alegorias da seca

trajetos com sol a pino
percursos com poeira alta
mandruvá de camada e cortiço
estribarias nas currutelas
verdes pastos e vagalumes
antenas de lambaris semi-vivos
bigodinhos a la Salvador Dalí
água fria

mesa de corte-mesa de morte





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Bruxaria zombeteira



 adornos inúteis
em dias pesados...

Abutre ensimesmado em vôo cáustico
Sobrevoando o círculo de fogo gotejante
 olhos biônicos em alcance letárgico
de insistência rapina
Gárgula forjado na pedra fria
Estanca!
(Reciprocidade)
....
 A partir de seus frígidos caprichos
Insisto em me guiar
me torno oferenda para altares remotos
para além dos ventos uivantes de ensurdecer
tênue linha de consciência expandida e loucura
mesa de sangue e herança escarlate
maldição!
Sacrifício!
ofereço
Pulsando vivo que é pra demonstrar coragem
...
vociferando blasfêmias e veredictos
vicinal-longitude
de amplitude reverberada
em abalos sonoros sensíveis
e silêncio de tumbas inertes

Peixe passional



Vaga em lagoa lodaçal
sinestesia de movimento
rendas e avencas molhadas
umidade de sombra clara
e alento


Vertigem em espelho d`água
lâmina afiada
língua de corte e folha
ou navalha



Água turva- água parada
abatedouro/berçário
corredeira - poço estanque
signatário alcançe


(sísmico abalo)


Peixe passional da fenda abissal
membrana de pupila sensível 
escama de aspereza 
vibração de clarão 
escuridão ou certeza

terça-feira, 16 de agosto de 2011


“O destino gosta de inventar desenhos e figuras. A dificuldade dele reside no complicado. A vida mesma, porém, é difícil pela simplicidade. Tem apenas algumas coisas de um tamanho que nos não é adequado. O santo, rejeitando o destino, escolhe estas coisas, em face de Deus. Mas que a mulher, conforme à sua natureza, tenha de fazer a mesma escolha em relação ao homem, é o que evoca a fatalidade de todas as relações de amor: resoluta e sem destino como uma eterna, ergue-se ela ao lado dele, dele que se transforma. Sempre a amante ultrapassa o amado, porque a vida é maior do que o destino. O dom de si mesma quer ser desmedido: é esta a sua ventura. A dor inominada do seu amor, porém, foi sempre esta: que se exija dela que limite este dom de si mesma”.

(Rilke, “Os Cadernos de Malte Laurids Brigge”, tradução de Paulo Quintela, edição de “O Oiro do Dia”, Porto, 1983)